| 04 Outubro 2004
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Nunca houve, em toda a História, um período de degeneração como o que estamos vendo.Também nunca houve prenúncios tão claros de calamidade. Por Jeffrey Nyquist.
O bufar e soprar indignados de Bin Laden não lograram reavivar o fogo das brasas fumegantes do ressentimento islâmico e fazê-lo crescer a ponto de tornar-se uma calamidade de escala universal. Desde o Onze de Setembro, nenhum arranha-céu foi atingido. Nenhuma cidade foi reduzida a pó. A América espera, cética em relação “a arenga belicosa dos beduínos”. Fomos informados de que a CIA operou de forma a embaraçar as manobras da Al-Qaeda. No entanto, ninguém na administração Bush está “cacarejando, após ter posto o ovo no Iraque”, nem ousa chamar esta ausência de atentados de vitória. Ao mesmo tempo, não há sinal de derrotas (embora o derrotismo seja o tema-chefe da campanha de Kerry). Aos americanos não agrada temerem horrores futuros e, certamente, não lhes agrada perdedores. À falta de fatos de mais importância, sua tendência é deixar de lado os julgamentos e ir às compras. Alguns voltam seu olhar curioso para a A-Qaeda? Teria aquele temível bando perdido seu charme sanguinolento? Teria entrado em decadência, após o glorioso 11/9, para chegar aos prosaicos sapatos-bomba e às decapitações auto-promocionais? E o massacre de Beslan, como se encaixaria no quadro geral do terror? Trilhemos o caminho inverso, do efeito até a causa: Bilhões de dólares perdidos em N. York, o Pentágono em chamas, Wall Street paralisada pela surpresa, a Administração forçada a planejar intervenções militares em um ponto remoto do planeta. Compare-se isso com o confrangedor episódio daquela cidade russa, onde a matança de crianças inocentes deixou como legado uma máquina totalitária intacta e restaurada, uma economia ainda mais aberta à militarização e seu governo com farto estoque de justificativas para prisões e aumento de efetivos militares. Não houve edifícios destruídos, nem colunas de fumaça pairando sobre o Kremlin. Aqui, um evento “sangrento” deu ímpeto à ressurreição da estrela vermelha. Nesse meio tempo, viemos a saber, através de boato, filtrado pela mídia/governo que a Al-Qaeda recobrou seus músculos perdidos e está pronta a desferir um ataque de grandes proporções. Como o Demônio, em Paraíso Perdido, muçulmanos sauditas renegados foram “Deixados ao largo junto com seus objetivos sombrios...” De fato, Bin Laden está acobertado pela escuridão. Não sabemos se está vivo ou morto, submetendo-se à hemodiálise ou à medicação. Se é um fundamentalista orgânico ou se faz parte do contexto das assim chamadas lutas de “libertação nacional”. Além disso, esse eventual ataque seria “maior e mais mortífero” do que os de 11/9. Os meios de que lançará mão para o ataque, quais serão a época e os alvos, permanencem envoltos em mistério. Uma coisa, no entanto, é certa: a Al-Qaeda esta decidida a recrutar milhares (se não forem milhões) de ardorosos novos militantes. A popularidade de Bin Laden é altíssima entre os ressentidos e invejosos do Islam.
Uma pesquisa feita pela Pew, em março passado, revelou que Bin Laden é lembrado por 65% no Paquistão e por 31% na Turquia.
O lugar-tenente de Bin Laden nos EUA que dizem ser San Paolo, na Italia). A Europa comete suicídio por uma paz falsa e envergonhada– bebendo do veneno do socialismo, do multiculturalismo e do trabalho maometano barato. E por que ocorreu isto? Porque a Europa comeu seu próprio interior, tornando-se oca com o secularismo e a esperteza.
Nunca houve, em toda a História, um período de degeneração como o que estamos vendo. Também nunca houve prenúncios tão claros de calamidade. O mal começou modesto e cresceu: de alguns maus livros e de vilões insignificantes até o atual grande sistema de engodo e de auto-engodo. Existirá alguém que consiga compreender o que se passou? A Europa apodrecida até a última fibra, a América sem foco e mal-orientada, a África mergulhando na barbárie, a América do Sul liderada pelos discípulos de Castro, a China Comunista ultrapassando os EUA na produção de bens de consumo e a Rússia Soviética reerguendo-se de suas próprias cinzas como uma Fênix! Em 1960 os países socialistas ocupavam mais de 26 % da superfície da Terra, com 35% da população mundial e 1/3 da produção industrial do mundo. Em 2004 os países socialistas misturaram-se com os países capitalistas de uma maneira que desafia a estatística.
Apesar de não ser de conhecimento geral, o grande embate continua. O que era verdadeiro em relação ao eixo principal de conflito em 1960, continua verdadeiro nos dias que correm: “que a presente época, cuja maior substancia é a transição do capitalismo para o socialismo, é uma era de desforço entre os dois sistemas sociais em oposição, uma era de revoluções socialistas e de libertação nacional, uma era de ruína para o imperialismo e de liquidação do sistema colonial, uma época de transferência de mais e mais povos para o ca mpo socialista, uma época de triunfo para o socialismo... em escala mundial.” (V.D. Sokolovskiy, tradução da RAND, Estratégia Militar Soviética, pp. 278-79.)
Um poder maligno esta em ascensão. Este poder é suficientemente modesto para não dar-se a conhecer, antes que seu triunfo seja final e irrecorrível. Em seu livro, Através dos olhos do Inimigo, o Coronel. Stanislav Lunev disse “A GRU [Inteligência Militar Russa] e a KGB ajudaram a financiar quase todos os movimentos e organizações pacifistas nos EUA e em outros países. Este financiamento era alcançado através de agentes secretos ou de organizações de fachada”. Duas páginas adiante ele declara: “Embora a maior parte dos ocidentais não se dê conta, a GRU é uma das mais importantes fontes de treinamento de terroristas no mundo.” Na página seguinte ele continua: “mesmo que os terroristas envolvidos na explosão do World Trade Center não tenham jamais freqüentado os cursos de treinamento da GRU, esta última foi a responsável pela formação do grupo terrorista a que pertenciam os primeiros”.
No norte do Cáucaso existe um ditado: “Tirem os agentes da Chechênia e a Guerra acabará”. Apliquemos este ditado a outros continentes, moderemos um pouco e o apliquemos à China; despeje o resultante nas cabeças de sabichões americanos, políticos e espiões; sacuda cuidadosamente, até que algumas cabeças comecem a explodir; deixe, então, à temperatura ambiente por 30 dias.
Notas:
Veja também: "Diplomata interrogado por fotografar terminal de gás natural."
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Tradução: Ricardo A. N. Dornelles.
