O acadêmico do Instituto Hoover e professor da Universidade de Stanford, nos EUA, Henry I. Miller, produziu para o jornal chileno El Mercúrio, uma longa análise sobre a chamada “Diplomacia Ambiental”, título de um documento de 10 mil palavras publicado pelo Departamento de Estado dos EUA em abril de 1997, com prefácio do ambientalista Al Gore, então vice-presidente dos EUA e da então Secretária de Estado Madeleine Albright.

“Imperialismo Verde” foi o título dado a essa análise publicada no El Mercúrio. Segundo o professor Henry Miller, a mensagem contida no documento divulgado pelo Departamento de Estado é a de que os assuntos relativos ao meio-ambiente passariam a integrar os temas principais que definem a direção da política exterior norte-americana.

O documento “Diplomacia Ambiental” sustenta que o Banco Mundial deve passar a levar em conta, em suas decisões de financiamento, as “implicações ecológicas”. Anteriormente, em seu livro “A Terra na Balança”, Al Gore escreveu que “deveremos incrementar ações audazes e inequívocas para fazer do resgate do meio-ambiente o princípio central organizador da civilização”.

Esse remédio, proposto por Al Gore e encampado pelo Departamento de Estado, objetiva redefinir as avaliações relevantes da atividade econômica, propondo que os governos passem a relacionar os custos da proteção ao meio ambiente como “benefícios”, e obrigar as empresas a apresentar atividades criadoras de riqueza como “custos sociais”. Avalia-se que os efeitos dessas teses sobre a economia serão profundos.

Seguindo essa “ideologia” de Al Gore, desde 1994 o Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio dos EUA vem utilizando o que denomina de “estrutura de contabilidade econômica ambiental” a fim de calcular o “PIB Verde” da economia do país. Assim, a contabilidade econômica ambiental intenta refletir a degradação dos “ativos naturais”.

Segundo essa teoria contábil que poderia ser tachada de “orweliana”, doações do Banco Mundial a grupos ambientalistas radicais poderiam ser contabilizados pelo Banco como “ingressos”, enquanto o valor, por exemplo, da energia elétrica produzida por uma nova represa financiada seria contabilizado como “gasto”.

A “diplomacia ambiental” já vem promovendo, no seio da ONU, políticas que bloqueiam os avanços agrícolas, pois alguns programas de agências das Nações Unidas já apontam contra a biotecnologia e a utilização de técnicas precisas e avançadas destinadas a melhorar geneticamente plantas, animais e microorganismos, apondo-lhes uma ampla variedade de desnecessárias e pesadas regulamentações que vêm multiplicando a papelada e demais custos do trabalho no campo, transformando-se em barreiras à investigação e desenvolvimento de produtos particularmente benéficos ao meio ambiente, como a busca de melhores colheitas com menor quantidade de adubos químicos, alternativas biológicas aos pesticidas químicos e novas formas de limpar depósitos de lixo tóxico.

Especula-se que uma das áreas na qual o Departamento de Estado passou a enfocar sua nova diplomacia ambiental foi a da utilização de terras, protegendo a selva em detrimento da busca de novas áreas em condições de serem cultivadas. Ou seja, o documento “Diplomacia Ambiental” teria passado a interferir nas decisões econômicas internas de outras nações.

Essa “diplomacia ambiental” já estaria servindo de parâmetro para as iniciativas do Departamento de Estado no que se refere ao meio-ambiente em várias formas: na diplomacia bilateral e regional; nos planos de ajuda estrangeira; em um compromisso da CIA com a “inteligência ambiental”; nos novos centros ambientais regionais que já estariam em funcionamento nas embaixadas dos EUA em todo o mundo, pregando “o Evangelho segundo Al Gore”; e em sugestões de novas tarefas para as Forças Armadas dos países da América Latina e Caribe.

Tanto isso é verídico que o jornal “O Globo” de 5 de junho de 1997 – menos de dois meses após ter sido divulgado o tal documento “Diplomacia Ambiental” – em matéria intitulada “EUA querem militares defendendo o meio ambiente”, revelou que o governo dos EUA, após ter sugerido, sem sucesso, que os países da América Latina passassem a utilizar suas Forças Armadas para combater o narcotráfico, busca, agora, convencê-los a utilizá-las para “defender a preservação das florestas tropicais e as espécies de animais em extinção”.

Além disso, sugere a criação de parques florestais junto às fronteiras dos países da região, onde as Forças Armadas atuariam como “guardas florestais”.

O condutor dessa “Diplomacia Ambiental”, segundo a matéria de “O Globo”, seria o Comando Sul do Pentágono, então ainda sediado no Panamá, mas de mudança para Miami. Suas escolas, que no tempo da Guerra-Fria treinavam militares latino-americanos no combate às guerrilhas, passariam a instruí-los na nova tarefa de “guerreiros ecológicos”, já existindo um plano específico para cada país.

No Brasil, por exemplo, o Comando Sul se prontificaria a “auxiliar na preservação da floresta amazônica”.

Esse novo papel foi anunciado no dia 3 de junho de 1997, na abertura de uma conferência patrocinada pelo Comando Sul, em Miami, pelo então Subsecretário de Estado para Assuntos Globais dos EUA, Timothy E. Wirth, a 300 oficiais de 32 países da América Latina e Caribe. O Subsecretário classificou essa nova atribuição sugerida às Forças Armadas como de “assistência humanitária” e “legitimamente militar”.

Parodiando Karl Marx, parece ter sido lançada a palavra-de-ordem pós-socialismo real e pós-Guerra Fria: “Ecologistas de todos os países, uni-vos!”.

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