| 08 Novembro 2004
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Dezoito meses atrás, um curioso ítem apareceu no Jornal Stillwater Mining Co). para uma companhia russa, a Norilsk Nickel. O jornal comentou, na ocasião, que o controle efetivo da Stillwater Mining Co. poderia ser interpretado como a aquiescência em que “uma empresa estrangeira controlasse a oferta de platina e de paládio”. É, de fato espantoso que a Rússia tenha tentado, tão abertamente, controlar o Mercado de minerais estratégicos, vitais à segurança nacional dos EUA.
A Stillwater Mining Co. caiu sob o controle da Norilsk há quase 17 meses. Como foi explanado no relatório quadrimestral da Stillwater de Agosto de 2004: “A empresa readequou seus planos de mineração, em um esforço de otimização da produção e de diminuição de custos, tendo em vista limitações financeiras. Ao reconhecer estas dificuldades, a empresa avaliou várias opções estratégicas, inclusive a admissão de um parceiro que injetasse capital, trazendo de volta o equilíbrio à estrutura econômica da mineradora. Este processo conduziu à venda de ações, anunciada em Novembro de 2002 e fechada em Junho de 2003, pela qual a empresa russa adquiriu 50.8 % da mineradora por 100.milhões de dólares em dinheiro e 877.169 onças de paládio através da compra de ações ordinárias recentemente emitidas. Posteriormente, através de uma oferta pública de compra de ações, a Norilsk Nickel aumentou sua participação na Stillwater para 55,5%”
Dada a importância estratégica da platina e do paládio, a totalidade da seqüência de eventos está clamando por uma investigação profunda. A Stillwater foi, aparentemente, atingida por flutuações no Mercado e pelo aumento nos custos de mineração nos EUA, que quase dobraram em quatro anos. Críticos da cultura corporativa americana poderiam adicionar que as companhias possuem gerentes demais, com demasia de privilégios.
Ao mesmo tempo em que a riqueza da empresas foi dessangrada pelo “andar de cima”, os demais empregados, desmoralizados e abandonados à própria sorte, sentiram o castigo e reagiram de acordo. O resultado foi queda na produtividade, baixo moral na empresa e fraqueza financeira crônica. (Alguns pensam que isso possa estar ocorrendo na indústria da atenção à saúde). É espantoso de fato que indústrias de alta lucratividade possam acabar jogadas a um canto, como o definiu um executivo; não em qualquer canto, já que a história apresenta uma dimensão que envolve a segurança nacional. Pelo “lado bom”, temos que o CEO da Stillwater, Frank McAllister teria recebido um “pára-quedas de ouro” de $2,25 milhões pelo acordo com a Norilsk (sempre Segundo a Billings Gazette). A Norilsk Nickel parece estar agindo, também em outros locais. Em 18 de outubro o jornal atualmente ocupado pela ANC, goza de amistosas relações com sinistros elementos russos, ativos na África subsaariana desde a Guerra de Angola. Isso tudo tem uma dimensão ideológica e política, tocando em interesses estratégicos vitais. Em Washington, parece que o alarme ainda não tocou. A Rússia também está fazendo movimentos no Mercado petrolífero mundial e isso se relaciona diretamente com a situação no Oriente Médio, onde a Rússia continua a fazer jogo duplo. De acordo com dois serviços europeus de inteligência, tropas russas de operações especiais removeram do Iraque sistemas de armas e materiais usados na fabricação de altos explosivos e de armas nucleares. De acordo com o Ion Mihai Pacepa, que descreveu os programas de remoção de armas de destruição em massa de países-párias. De acordo com Pacepa, a Rússia é o principal agente proliferador da tecnologia das armas de destruição em massa em favor dos mais perigosos ditadores do mundo. Além disso, a Rússia está determinada a ocultar sua política de armar regimes antiamericanos. Em um recente artigo, escrito para a Alinhando-se com a inteligência russa e com grupos criminosos elas manipulam toda a Europa –econômica e politicamente. As estruturas totalitárias subterrâneas da Polônia e da República Tcheca são reais e recebem ordens de Moscou. Atualmente, elaboram listas daqueles que seriam liquidados no caso de uma ressurreição totalitária.
Existe uma questão que deve ser respondida: a democracia teria vencido, de fato, ou não, nas “antigas” repúblicas soviéticas e satélites? As recentes eleições na Ucrânia foram caracterizadas por um de meus contatos no Leste europeu da seguinte maneira: “É terrível ver como funcionários governamentais, na era pós-soviética possa usar a lei e o medo contra seus próprios concidadãos”. Ainda de acordo com meu correspondente, “as reformas inspiradas pelos EUA em nada afetaram a situação política ucraniana”. Atualmente, a situação política naquele país é “muito tensa”, sendo que Kiev está cercada por batalhões de forças especiais. “Os soldados esperam nas florestas”, explicou minha fonte, “há viaturas militares estacionadas em redor da Comissão Eleitoral Central”. A mão da KGB russa é visível em todo o lugar, manipulando a situação política em todas as “antigas repúblicas, como na Ucrânia..
É alarmante ver como uma empresa russa, provavelmente tripulada por membros da inteligência russa cavou, de maneira sub-reptícia, seu caminho até a Stillwater Mining Co., de Montana. É alarmante, da mesma forma, ver que os russos fazem movimentos dirigidos para a América Latina e África. A própria Guerra ao terror é, no máximo, uma atração paralela, com bin Laden no papel de ‘maluco do ato’. Os russos observam atentamente a exaustão econômica dos EUA. Observam, também, a exaustão econômica da Venezuela e da África do Sul. Não é por acaso, portanto, que a al-Qaeda deseje quebrar a economia americana. Sexta feira passada, bin Laden apareceu pela primeira vez em vídeo, desde Setembro de 2003, através da al Jazeera, dizendo ao público americano “como deveriam agir para evitar novos conflitos”.
Sublinhando sua estratégia, bin Laden mostrou o método por trás da insanidade da al Qaeda. “Os mujahedeen recentemente conseguiram forçar Bush a lançar mão em fundos de emergência para continuar a luta no Afeganistão e no Iraque” gabou-se, “o que é evidência de sucesso de nosso plano de ‘fazer sangrar (os EUA) até a bancarrota’ – com a bênção de Alá”. De acordo com bin Laden, o ataque de 11 de Setembro custou à sua organização meros US $ 500.000. “Cada dólar da al Qaeda derrotou um milhão de dólares, pela vontade de Alá e custou aos EUA um grande número de empregos”, finalizou.
O ataque real é econômico. E o autor intelectual é aquele que se move por trás dos bastidores, a fim de juntar todas as peças do quebra-cabeças econômico.
Notas:
© 2004 Jeffrey R. Nyquist
Publicado por Financialsense.com
Tradução: Ricardo A.N. Dornelles.
