| 02 Dezembro 2004
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Foram recentemente lançados dois livros que abordam o progresso americano na guerra contra o terror. Sob o ponto de vista dos livros os EUA a estão vencendo e que a invasão do Iraque foi útil, estrategicamente. O primeiro desses livros é America’s Secret War: Inside the Hidden Worldwide Struggle Between America and Its Enemies, de George Friedman, presidente da Stratfor.
Richard Miniter escreveu sobre os fortes vínculos entre Saddam Hussein e a Al Qaeda. (Estas ligações também foram discutidas longamente pelo expert em Laurie Mylroie, no livro Bin Laden: The Man Who Declared War on America). Diferentemente de Miniter, George Friedman afirma que “não somente havia poucas provas de qualquer colaboração [entre o Iraque a Al Qaeda], mas também boas razões para crer-se que nunca houve.
Ambiguamente, Friedman refere-se à invasão do Iraque dizendo que foi “simplesmente a melhor decisão possível, em vista do número limitado de opções à mão”. As justificativas que o Presidente Bush ofereceu ao público, no entanto, foram infelizes, de acordo com Fridman. No rescaldo do 11/9, os EUA foram compelidos a tomar conta do Oriente Médio, a fim de pressionar o Paquistão e a Arábia Saudita, cercar o Irã e paralisar a Síria. Isto tudo acabou imobilizando a Al Qaeda. A invasão do Iraque foi o instrumento usado para atingir esses fins. Para Friedman, a ênfase que a Administração deu às ADM resultou de um cálculo político errado, pois os pretextos eram fracos. As potências européias e asiáticas não gostariam de ver os EUA dominando o Oriente Médio. Como esperar que a França, China e Rússia aceitem essa possibilidade? Fridman diz que o “império global” não tem precedentes, embora tenha-se formado espontaneamente. Os EUA nunca desejaram possuir um império; entretanto, as potencias européias e asiáticas estão inquietas e desconfiadas – uma complicação adicional para a diplomacia americana.
Ambos, Friedman e Miniter, pensam que a Administração esteja ganhando a Guerra (pelo menos por enquanto). “Fui até os fronts,” disse Miniter, “e entrevistei agentes de inteligência e militares americanos e não-americanos”. Mais de 3000 militantes da Al Qaeda foram mortos ou capturados desde 11/9 em 102 países”. Em uma entrevista recente ao Washington Journal, da C-SPAN, defendeu sua objetividade explicando que “Não sou filiado ao Partido Republicano e nunca votei em qualquer presidente republicano”. Miniter acredita que a efetividade da Al Qaeda tenha sido destruída. Não há mais campos de treinamento da rede e todos os recrutadores foram controlados. Em relação à insurgência no Iraque, Miniter diz que “ela foi previamente preparada por Saddam”.
O viés de Friedman ao observar a guerra não é tão positivo. “Sob o ponto de vista estratégico”, escreve ele, “os Estados Unidos agiram de fato extremamente bem”. Aponta, ainda, que, “com raras exceções, como a da Síria, a imensa maioria dos governos islâmicos alinhou-se com os Estados Unidos”. Mostrando sua determinação e força no Iraque, os EUA foram ganhando, uma a uma, as adesões dos países islâmicos. “Foram levados a um confronto direto com as forças ‘jihadistas’”, explicou Friedman e os ‘jihadistas’ começaram a lutar contra os estados islâmicos. O resultado foi uma derrota aplastadora da Al Qaeda.
“A Guerra no Iraque já de início alcançou os dois objetivos estratégicos a que se tinha proposto”, admite Fridman. “Em primeiro lugar, significou uma deflexão na psicologia do mundo islâmico, onde os EUA passaram de odiados e olhados com desconfiança, a odiados e temidos – uma substancial melhora em termos de obtenção de apoio internacional aos desejos americanos”. O segundo objetivo foi a conversão do Iraque em uma importante plataforma militar. As tropas americanas, agora, estão posicionadas idealmente para operações no Oriente Médio: entre os regimes parias do Irã e da Síria. Podem intervir mais rapidamente na Arábia Saudita, complicando seriamente qualquer tentativa de derrubar a monarquia saudita e interromper a produção petroleira daquele país.
Dado o sucesso estratégico do Presidente Bush, Friedman alerta para perigos “táticos e operacionais”. Os EUA devem prevalecer naquela região e usar de pulso firme. “O fundamental da melhora estratégica [no O. Médio]”, escreve ele, “repousa em um leito volátil, pois a situação no Iraque recusa-se a estabilizar”. Neste ponto, Fridman diverge de Miniter que identifica os insurgentes iraquianos como mercenários, cuja fonte de pagamento está para esgotar-se. (De acordo com Miniter, a maior parte dos insurgentes naquele país não luta por uma causa ou crença específicas, mas por dinheiro. Ele também aponta que os preços dos mercenaries estão subindo, o que provaria que o sentimento anti-americano esta amainando).
Os líderes árabes respeitam a força e desprezam a fraqueza. Caso a determinação americana no Iraque venha a enfraquecer, as potências árabes pararão de cooperar na luta contra os jihadistas. De acordo com Fridman, se os EUA não conseguirem pacificar o Iraque, terão seu prestígio enfraquecido e sérias conseqüências advirão. Portanto, “a campanha iraquiana é, ao mesmo tempo, um sucesso estratégico e um desastre estratégico potencial”. Ele então lista uma série de reveses americanos no Iraque, incluindo que: “A dificuldade em entender que Ahmed Chalabi … era, de fato, um agente iraniano”, “a não-descoberta das armas de destruição em massa; a falha em entender que os xiitas iraquianos foram cuidadosamente organizados pela Inteligência iraniana”, a não-identificação da estratégia guerrilheira de Saddam; percepção tardia do âmbito da insurgência e, o mais chocante de tudo, a não-admissaõ de que as forças terrestres americanas estão em número menor d o que o necessário.
Já foi levantada a idéia de que os EUA estejam estrategicamente obcecados com o Iraque. Segue-se, entretanto, que os inimigos também estariam obcecados. Indo ao Iraque, os EUA criaram um irresistível pólo de atração para os fundamentalistas islâmicos, jogando-os em um moedor de carne americano. É possível e mesmo provável que tenha sido exercida pressão para que a monarquia saudita não interviesse. É uma pressão que as forças americanas podem suportar muito melhor do que o aparato de segurança saudita, vulneráveis como são à infiltração islâmica. (A família real saudita já esteve movimentando sua riqueza para a Suíça e outros lugares, em um preparo escancarado para o exílio. Tais preparativos sugerem falta de confiança no futuro da realeza).
Miniter pinta um quadro de sucesso, embora admita que a guerra ainda não tenha terminado. Fridman sugere que a vitória aparente dos EUA pode ser de curta duração. Embora tendo tido ganhos estratégicos críticos, “os EUA não conseguem finalizar a campanha”. Quanto mais tempo durar a insurgência, mais os ganhos americanos estarão ameaçados. Com suas fontes da linha de frente, Miniter acredita que a insurgência esteja perdendo impulso e Fridman reconhece um “grande salto para a frente” na capacidade de Inteligência americana. Aparentemente a Inteligência conseguiu penetrar nas operações da Al Qaeda, atrapalhando ou impedindo “vários ataques importantes”.
Miniter e Friedman nos provêm de fatos e idéias com que avaliar o progresso dos EUA na Guera ao Terror. Ninguém poderá prever o que resultará desta Guerra, pois as variáveis são demasiadas para um cálculo racional. Parece, no entanto, que os EUA estão ganhando. A Al Qaeda está enfraquecida.
Notas:
© 2004 Jeffrey R. Nyquist
Publicado por Financialsense.com
Tradução: Ricardo A.N. Dornelles
