Victor Cherkashin, o coronel da KGB que alimentou espiões  como Aldrich Ames e Robert Hanssen, publicou suas memórias com o título  livro de 1987 foi banido na Inglaterra). O texto de Wright foi dolorosamente honesto, ao extremo de expor o autor a processos judiciais.  The First Directorate: My 32 Years in Intelligence (O Primeiro Diretório: Meus 32 Anos na Inteligência), o vilão burocrático da história é o chefe da inteligência estrangeira,  Vladimir Kryuchkov (que, posteriormente, tornou-se o diretor da  KGB). De fato,Cherkashin admite que foi envolvido por uma “onda de alegria” quando o saco de gatos que era a equipe de oito homens de  Kryuchkov declarou estado de emergência,  em  agosto de 1991, tomando o  poder sob pretexto de que  Gorbachev havia caído doente. O golpe de agosto, diz Cherkashin, não foi um golpe de fato: “Foi uma última tentativa de manter unida a URSS, apesar das intenções de Gorbachev de desmantelá-la”.

Lamenta a queda do comunismo: “A União Soviética tinha de mudar,” admite. “Graças a Deus, pelo menos a estátua de Karl Marx perto do Bolshoi, a populaça não arrancou.”  Ele, portanto, sugere que algo possa ter-se salvado. Nem tudo estaria perdido. Não se trata do mesmo desespero que encontramos nas memórias de Peter Wright. Cherkashin não se acha abandonado em uma “planície de espelhos”. Ele não está mostrando “o trecho final” da longa “celebração do declínio” de seu país no pós-guerra. Nem amargurado como o deprimido caçador de espiões britânico, corroído pela suspeita de que seu chefe no MI5, Sir Roger Hollis, fosse um agente soviético (no que foi apoiado por William West, que  apresentou  suas  descobertas em  um  livro intitulado Deception: The Invisible War Between the KGB and CIA (Engodo: A Guerra Invisível entre a KGB e a CIA) . O  processo de engodo foi descrito por  Angleton como “uma dupla alça” consistindo em duas linhas de comunicação: 1 – a KGB passa informação falsa para a  CIA através de  agentes de influência, diplomatas e jornalistas; 2 - o espião dentro da CIA relata como foi recebida esta informação falsa. Isto permite à KGB ajustar a desinformação para consumo da CIA. De acordo com Epstein: “Este ‘feedback’ era  essencial para aumentar o comprometimento do adversário … com as fontes na ponta da desinformação da alça. Sem ele, o desinformante trabalha no escuro.”

Já em 1985 Angleton e Golitsyn acreditavam que a URSS estivesse preparando uma falsa  democratização. Golitsyn escreveu um livro inteiro sobre o assunto em  1984, intitulado Notas:


© 2005 Jeffrey R. Nyquist

Publicado por Financialsense.com

Tradução: Ricardo A.N. Dornelles.

Para maiores informações sobre desinformação leia também A América dividida - Parte I.

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