Na semana passada, o Presidente Bush corajosamente afirmou, em seu segundo discurso inaugural, os princípios que regem sua controversa política externa. “Por meio século”, disse o presidente, “os EUA defenderam sua própria liberdade, estando alertas em fronteiras distantes. Após o naufrágio do comunismo houve alguns anos de relativa calma, de repouso. Anos de férias escolares. Sobrevieram, então, dias de fogo".

Ao longo daqueles “anos de calma relativa” uma ameaça crescia. “Tomamos consciência de nossas vulnerabilidades e de suas raízes mais profundas”, disse Bush, “pois enquanto regiões inteiras do mundo contorciam-se em ressentimento e tirania – inclinadas para ideologias que alimentam ódios e aceitam o crime e o assassinato - a violência aglutina-se e multiplica-se em um poder destrutivo, que atravessa as fronteiras mais vigiadas e cria uma ameaça mortal. Existe apenas uma força na História que pode evitar o império do ódio e do ressentimento, expor as pretensões do tiranos e recompensar as esperanças daqueles que sejam decentes e tolerantes. Essa força é a da liberdade humana”.

Se a tirania locupleta os homens com violência e ódio, então a melhor conduta é a de erradicar a tirania. Daí, a formula do presidente: “A sobrevivência da liberdade em nossa terra depende, cada vez mais, da sobrevivência da liberdade em outros países. A melhor esperança para a paz em nosso mundo é a expansão da liberdade para todo o mundo”.

Escuta-se no chamado de Bush um eco do que disse Woodrow Wilson: “guerra para acabar com todas as guerras.” Infelizmente, a política de Wilson não conseguiu acabar “com todas as guerras”. O cínico H.L. Mencken chegou a caracterizar Wilson como “o Arcanjo Wilson”. Hoje em dia, os críticos de Bush parecem-se muito com Mencken; falta-lhes, apenas, a espirituosidade de Mencken. Os cínicos, acima de tudo, podem ver que o Presidente Bush – como o Presidente Wilson – é um idealista conduzindo uma cruzada. Sabem que Wilson falhou e torcem para que Bush também falhe. “Os interesses vitais de nosso país e de nossas crenças mais profundas são, agora, uma coisa só," afirmou Bush. “Desde o dia de nossa Fundação, viemos proclamando que cada homem e cada mulher neste mundo têm direitos, dignidade e valor únicos, pois são a imagem do Criador do Céu e da Terra. Ao longo de gerações, temos proclamado o imperativo da autodeterminação, pois a ninguém é dado o direito de feitoria e ninguém merece ser escravo. Fazer valer eses ideais é a missão que criou nossa Nação. É a honrosa conquista de nossos pais. Agora, é um imperativo urgente da segurança de nossa terra e o chamado de nosso tempo.”

É quase como se Bush tivesse estendido a Declaração de Independência ao planeta inteiro. Não se trata simplesmente de um caso de colônias rompendo relações com um rei tirânico. Cada tirano, em cada canto do mundo está, então, notificado. “Essa é a política dos EUA”, disse Bush. “Procurar e apoiar o crescimento de movimentos e instituições democráticos em todas as nações e culturas, com o corolário de erradicar a tirania em nosso mundo”.

Peggy Noonan, antiga redatora dos discursos de Reagan, em sua coluna no Wall Street Journal, comparou a agenda de Bush à colonização de Marte. Disse que o discurso de Bush foi “onírico e perturbador”. Deixou-a “com mau pressentimento e um desgosto relutante”. Adiante, ela adiciona: “Este mundo não é o Céu”.

Os EUA estão envolvidos em uma Guerra que iniciou em 11 de Setembro de 2001. Esta guerra envolve mais países, mais grupos étnicos, mais atritos religiosos, intrigas mais profundas e inimigos mais poderosos do que qualquer outra na história. Armas de destuição em massa podem estar em mãos de terrorista. Como tem acontecido, os EUA têm de tratar com ditadores, reis e líderes autocráticos. Por exemplo: precisamos da amizade do Rei da Jordânia, do ditador do Paquistão. Como podemos trabalhar com estes governos não-democráticos ao mesmo tempo em que prometemos desalojá-los em favor de maiorias que odeiam nosso país e oram pelo nosso aniquilamento? É duvidoso que o presidente compreenda as implicações estratégicas de seu próprio discurso. A última coisa que podemos desejar é uma revolução democrática na Arábia Saudita – onde fanáticos religiosos certamente tomariam o poder. Sejamos honestos: a democracia é impraticável quando o próprio povo esta corrompido por idéias malignas. Concordamos todos em que loucos violentos não podem estar livres. Talvez povos animados por idéias lunáticas necessitem de uma forma terapêutica de governo, antes de passar à democracia. O Presidente Bush jurou defender a liberdade e a segurança dos EUA, não a de povos distantes que vivem de acordo com códigos sectários de violência.

Desde a segunda posse, gastos maciços destinados a construir uma democracia no Iraque foram anunciados. A política presidencial é grandiosa, mas as reservas morais e financeira do Iraque são parcas. Continuamos a viver como o fazíamos antes de 11/9/2001, profundamente devotados à nossa cultura de shopping center. O consumidor americano permanece indisciplinado e avesso ao sacrifício como sempre. A dívida pública cresce sem parar. Notas:


© 2005 Jeffrey R. Nyquist

Publicado por Financialsense.com

Tradução: Ricardo A.N. Dornelles.

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