| 28 Fevereiro 2005
Arquivo
Para aqueles que desejam entender a situação no Iraque existe um livro de Steven Vincent “a seqüência em que esses eventos ocorrem é tal que os homens, em primeiro lugar, procuram estar a salvo de serem oprimidos. Tornam-se, então, opressores do outro e que as lesões de que se viram livres, passam a aplicar nos outros. É como se fosse obrigatório maltratar ou ser maltratado”.
A jornada de Steven Vincent dentro da alma iraquiana coloca-nos face a face com essa patologia. Apenas que, no caso do Iraque, existem complicações extenuantes. Vincent encara a Guerra ao terror como uma cruzada sociológica contra o horrendo e retrógrado sistema social dos beduínos islâmicos. Vincent despreza o espantoso tratamento que os beduínos dão às mulheres. Ele sabe que não pode haver paz entre o moderno homem democrático e o homem medieval islâmico. Os povos que estão submetidos à lei islâmica (shari’a) e ao extático culto do martírio não podem ser libertados. Contra o irracionalismo político e religioso, a classe média iraquiana – o centro “decente” da sociedade – merece ser apoiada. Segundo Vincent, o Iraque necessita de mais tropas americanas (para manter a ordem) e melhores leis para garantir o direito do indivíduo contra a megalomania de uma seita ou de um clã. Vincent aplaude a derrubada de Saddam. Ao mesmo tempo, ele deplora o recuo do Presidente em relação ao federalismo iraquiano (i.e., um sistema proposto de autonomia regional, para impedir os xiitas de imporem a shari’a ao país). Os EUA libertaram o Iraque sem reconhecer que as culturas e as religiões NÃO são criadas iguais. Algumas sociedades têm uma carga maior de patologia, uma tendência maior para o mal e para a violência do que outras. Os Estados Unidos devem, portanto, ter a coragem moral de condenar as normas opressivas do Iraque “no 11/09,” explica Vincent, “o desespero e a má-vontade do mundo islâmico foram inteiramente liberados contra os EUA. Naquele dia, o Islã tribal tornou-se nosso problema. E, sendo nosso problema, pede uma solução nossa: democracia”.
Apesar do respeito que o Presidente Bush tem pela “religião da paz”, o Islã é incompatível com a democracia e Vincent diz-nos porquê. A profunda subordinação feminina e a determinação férrea de proibir o livre-pensamento (intrínseco ao Islam) não é a matéria-prima ideal para construir-se uma sociedade livre. Pior ainda, matar em defesa da honra da família e a pilhagem de quem esteja fora do clã são parte da psicologia iraquiana. Não importa quanto o Presidente Bush tente, ele não pode transformar uma nação beduína em uma nação burguesa, usando slogans e generosidade. Estamos tentando conquistar o povo iraquiano despejando bilhões no país. Enquanto isso, não temos no solo as botas necessárias para impedirem os assassinos de fazerem listas de pessoas a serem assassinadas que incluem qualquer um que cooperar com o esforço americano de reconstrução.
Quase ao fim do livro, Vincent relata o caso de uma mulher iraquiana desesperada, pedindo a um agente da Inteligência americana que fizesse algo contra a intimidação sistemática da população por gangs islâmicas organizadas. “estamos saindo em 30 de junho”, respondeu o agente, referindo-se à passagem do poder da Autoridade Provisória da Coalizão para os iraquianos, ano passado. Se procurar os britânicos, eles também lhe dirão que crimes são assunto para a polícia iraquiana”. Em resposta a iraquiana gritou: “Vocês não entendem? A Polícia iraquiana é corrupta! Não temos leis, não temos tribunais, os juízes têm medo de decidirem contra os criminosos ou contra os partidos religiosos. Vocês estã nos abandonando nas mãos de homens ignorantes!”. A resposta final do agente americano foi irretorquível: “Sinto muito. Mas que opções temos? Quanto mais nos esforçamos em favor do povo iraquiano, mais ele nos odeia”.
Métodos suaves são insuficientes e a correção política neutralizará a empreitada. Se não podemos condenar a cultura beduína, se não podemos olhar com superioridade uma religião doente que cultua a morte, então não podemos operar as forçosas mudanças que a situação requer. Liberdade significa fazer valer os direitos individuais contra os apelos tribais, contra a irracionalidade assassina dos mulás e contra o roubo organizado dos remanescentes Baathistas. Sem duplicar o número de soldados, sem colocar o Iraque em julgamento, como estava a Alemanha em Nuremberg, não haverá nenhum arrependimento e nenhuma reconfiguração ou reforma da sociedade iraquiana. O processo Nuremberg foi baseado em noções americanas de Justiça – não nas alemãs. Os japoneses derrotados não foram autorizados a escreverem sua própria Constituição. Julgamos os nazistas e os imperialistas japoneses por nossos próprios padrões. Impusemos-lhes um sistema de direitos individuiais. Como resultado, a Alemanha e o Japão vêm gozando, há seis décadas, de paz e de prosperidade. A dureza com que os alemães foram tratados não pode ser negada. Os resultados, entretanto, estão aí e mostram que o método funcionou. Nos dias que correm, em contraste, falta-nos confiança moral de impor nossos valores superiores ao Iraque.
Há, também o problema da promessa que fizemos de manter o Iraque preservado, como uma só nação. A exist&ec irc;ncia do Iraque como tal, sempre foi tênue. Os Curdos, os sunitas e os xiitas foram ensinados repetidamente que eram iraquianos. A pessoa que assim lhes ensinou foi Saddam Hussein. Agora que Saddam se foi a nacionalidade iraquiana pode não ser sustentável. Como irão os EUA revivescer a consciência nacional iraquiana?
Se você quiser discutir com inteligência a questão do Iraque, entender o islamofascismo, deve ler Notas:
© 2005 Jeffrey R. Nyquist
Publicado por Financialsense.com
Tradução: Ricardo A.N. Dornelles
Para maiores detalhes sobre o assunto, leia a entrevista de Steven Vincent na série de artigos Na Zona Vermelha.
