| 07 Março 2005
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O Presidente Bush foi à Europa. Ele está tentando insuflar nova vida na aliança atlântica. Isto subentendendo-se que tenha restado algo em que se possa insuflar vida. Os líderes franceses e alemães ofenderam-se com a invasão americana no Iraque, em 2003. Logo após, o público americano foi ofendido pela duplicidade germano-francesa. Kenneth Timmerman resumiu a reação em seu livro, Gumby). Maleabilidade em política é mostra do vazio. Também é mostra de fraqueza (no sentido militar). Segundo Machiavel (autor de O príncipe), o sucesso em política requer qualidades humanas e animais. “Como o príncipe deve saber agir como uma fera”, escreveu Machiavel, “deve ele aprender como agem o leão e a raposa, pois o primeiro é indefeso contra as armadilhas e a raposa é indefesa frente ao lobo. Deve-se portanto, ser como a raposa, para evitar as armadilhas e como um leão, para afugentar os lobos. Os que simplesmente agem como se fossem lobos são estúpidos”.
Esta citação de Machiavel mostra a atitude européia perante George W. Bush. Na realidade, restam bem poucos leões na Europa de hoje, mas raposas há muitas. James Burnham, em seu livro, negaceia por entre os arbustos. O leão nada pode fazer, a não ser dizer que “todas as opções estão na mesa.
Enquanto isso, as raposas fazem suas piruetas. O presidente da França e o chanceler da Alemanha crêem que a EU deva fazer sua própria política militar. É uma outra maneira de dizer que a OTAN deve ser descartada. “A Europa está, rapidamente, aumentando sua capacidade defensiva”, explicou o Presidente Jacques Chirac, da França. “Este acontecimento é uma oportunidade positiva para nossa aliança. Uma Europa mais forte e mais unida implica claramente uma aliança atlântica mais forte e mais eficaz”. Em relação a esta declaração deve-se ser cuidadoso. Faz parte do jogo da raposa apresentar absurdos cinicamente. A liderança francesa opôs-se publicamente à invasão americana do Iraque, apoiando-se em rarefeitos princípios de leis internacionais. Por trás desta “santa” mascara, funcionários franceses e seus amigos lucravam com o escândalo petróleo por alimentos. Empresas francesas lucravam com contratos assinados pela mão suja de sangue do ditador. O cinismo da raposa não é difícil de encontrar. Ela negociará com qualquer um a respeito de qualquer coisa.
Durante sua viagem, George W. Bush declarou estar pronto a aprender de seus colegas europeus. O Presidente Chirac desejava dar a Bush o benefício da dúvida, tomando o humilde aprendiz sob sua asa protetora. “O futuro dirá se estou errado”, admitiu Chirac. Enquanto isso, o Chanceler alemão Schröder declara que a OTAN está “ultrapassada.” (Dito em outras palavras, a relação transatlântica com os EUA não serve para nada). Respondendo a isso, o Presidente francês disse: “Eu apóio a proposição do Chanceler Schröder”.
É sempre divertido ouvir os franceses falarem da arrogância americana. É mais divertido ainda quando os netos de Hitler iniciam uma conversa aborrecida sobre supostos crimes de Guerra americanos. Um promotor alemão, recentemente, investigou o Secretário de Defesa Donald Rumsfeld sobre o assunto. Como se fosse para devolver o favor de 1945, a Alemanha está ansiosa para pôr os líderes americanos no lado oposto ao que estiveram em Nuremberg. É difícil de imaginar, mas se a Alemanha detivesse o Secretário de Defesa, acusando-o de crimes de Guerra, a OTAN estaria acabada. Os EUA ficariam ultrajados e dariam as costas para a Europa. O problema em usar a “democracia” como justificativa para estabelecer postos avançados ou para converter povos hostis é que a democracia não é uma panacéia. O caso da Alemanha é claro. Estabelecer a democracia sobre as ruínas de um regime totalitário não garante lealdade nem boa-vontade. O ressentimento de um povo passa adiante até a terceira geração.
Em 1840 Soren Kierkegaard escreveu sobre a “bancarrota total para a qual parecia que toda a Europa se dirigia”. Em meados da década de 80 do século XIX, Friedrich Nietzsche admitiu, “toda nossa cultura européia vem se movendo no sentido da catástrofe, com uma tensão torturada crescente decênio a decênio”. Descrevendo a si próprio como “o primeiro nihilista perfeito da Europa”,Nietzsche escreveu: “O Nihilismo está à porta”.
E alguém deixou-a escancarada.
Notas:
© 2005 Jeffrey R. Nyquist
Publicado por Financialsense.com
Tradução: Ricardo A.N. Dornelles
