| 08 Março 2005
Arquivo
Caracas, 7 de março de 2005
Honoráveis
Deputados e Senadores
Congresso Nacional
República da Bolivia
Dirijo-me aos senhores em caráter de urgência, com o fim de advertir-lhes sobre o perigo iminente que corre vossa pátria.
A desestabilização que sofrem as instituições bolivianas – e que provocou a renúncia do presidente Carlos Mesa – não provém apenas de circunstâncias internas; é o resultado de uma manobra internacional orquestrada pela ala mais radical do Foro de São Paulo (FSP) (carta aberta ao Povo Colombiano) advertindo que o Foro de São Paulo pôs em marcha um plano para tomar o poder em toda a região. Nele, denunciei textualmente que o plano consistia em “primeiro, realizar uma campanha de desprestígio contra Uribe, para debilitá-lo politicamente e, segundo, usar a Venezuela como instrumento de choque para criar uma grave crise interna. O próximo passo do Foro de São Paulo é tomar a Bolívia, onde o FSP apoia a candidatura de Evo Morales, e em seguida, avançar rapidamente para o sul, até controlar o continente inteiro”. Lamentavelmente, é isso o que está ocorrendo.
Os agentes do Foro de São Paulo aproveitam o descontentamento popular de nossas nações, produto de políticas econômicas equivocadas que os partidos tradicionais levam a cabo, para enganar a população, prometendo mudanças e melhoras e, desta maneira, tomar o poder, quer seja pela via eleitoral quer seja pela via das armas e, em seguida, entregar o controle da nação ao Regime cubano.
Às vezes usam um método misto: primeiro acossam as instituições com golpes de Estado (caso venezuelano), conflitos fronteiriços (caso colombiano), quartelaços (caso peruano) ou sublevações violentas (caso boliviano) e, uma vez debilitadas, se apoderam delas com algum mecanismo eleitoral.
Já no poder, não resolvem nenhum dos problemas que oprimem nossos povos, senão que os agravam, e utilizam melhor as ferramentas que a democracia lhes outorga para acabar com as instituições e estabelecer uma ditadura com máscara constitucional.
Dado que se trata de uma operação internacional e não meramente de um assunto interno, me atrevo a sugerir-lhes algumas recomendações: em primeiro lugar, utilizar os mecanismos que estabelecem vossa Constituição, para decretar um estado de Emergência que dure até enquanto não se descubram os alcances desta operação internacional de desestabilização. Segundo, nomear um Presidente com plenos poderes, que lhe permita atuar com eficiência e celeridade na neutralização desta ameaça. Terceiro, levar a cabo uma campanha de informação, para advertir ao povo boliviano de que está sendo objeto de um engano, que não se deixe levar apenas pelo descontentamento porque essa atitude poderia lhe custar a liberdade. E quarto, levar a cabo um programa econômico de emergência que resolva os problemas mais cruciais do povo boliviano.
Paralelamente, recomendo investigar até que ponto Evo Morales está atuando como títere de Hugo Chávez, Fidel Castro e as FARC. Não é por acaso que há apenas uma semana Hugo Chávez tenha dado declarações, junto a Evo Morales, intervindo nos assuntos internos da Bolívia.
Fico à vossa disposição para colaborar nesta delicada crise e para ampliar os critérios aqui expostos.
Notas:
O autor é Ex-Assessor do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Venezuela.
Tradução: Graça Salgueiro.
