| 28 Março 2005
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Em 14 de Março, no Wall Street Journal, saiu um artigo intitulado “A Grande Partida”, em que o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov anunciava haver jogado seu último torneio sério de enxadrismo. “Após três décadas como enxadrista profissional … decidi aposentar-me”, declarou ele. Como o mais jovem campeão de xadrez da história e o número 1 do mundo por duas décadas, Kasparov declara que sua aposentadoria vai permitir-lhe desempenhar um papel mais ativo na política russa. “Por muitos anos", explicou "fui um apoiador ardente da democracia na Rússia”. Não descartando uma candidatura presidencial, Kasparov disse que “a Rússia encontra-se em um momento de crise e toda a pessoa decente deve levantar-se e resistir à ditadura de Putin”. Fez também referência à capacidade do jogador de xadrez de “enxergar o tabuleiro como um todo”.
O maior país do tabuleiro é, de fato, a Rússia. Segundo a coluna de 15 de março de Stratfor, George Friedman, “McCarthy virou o padrão negativo pelo qual todas as ações contra-conspiratóriais são julgadas”. Friedman explicou em seu livro, foi o resultado de uma conspiração. Isso posto, não devemos saltar rápido demais para o inverso, o conspiracionismo. O caminho correto é estreito e poucos são aqueles que o descobrem. Em uma tentativa de achar o ”caminho certo”, a cultura econômica americana do “pode tudo” representa uma rebelião em curso contra o fatalismo do Oriente. O espírito americano acredita que o mundo possa ser refeito. A miséria da pobreza perpétua e da guerra pode ser exorcizada pelo encanto democrático. Enquanto isso, chineses e russos são mais espertos. Possuem uma fé pessimista que prepara seus acólitos para o pior, aprontando grandes mecanismos de destruição para os tempos futuros de dificuldades. Os dois pontos de vista entreolham-se. Esperam pelo inevitável julgamento da história.
Friedman ensina-nos que os EUA têm “um aparelho de segurança nacional extraordinariamente fraco”. Ele está certo. A fraqueza dos EUA provém da primazia do econômico sob uma democracia de livre-mercado. Construímos um sistema precário de suprimento nacional, baseado na conveniência e no lucro. Esse sistema é vulnerável às armas de destruição em massa. Fronteiras frouxas, livre comércio (com Estados inimigos) e super-urbanização deixaram os EUA abertos para um ataque por qualquer lado. A defesa civil americana encontra-se em um estado de colapso virtual. Além disso, a educação para a defesa civil é quase não-existente.
No ano passado, entrevistei Shane Connor, um entusiasta da defesa civil americana. De acordo com ele, “o governo americano deixou o público completamente exposto”, pois a defesa civil americana encontra-se em estado lamentável. “A única ameaça radiológica que o governo aceita discutir é a representada pelas pequenas ‘bombas sujas’”, diz Connor, “porque é esta a única ameaça para a qual ele está preparado, mesmo assim, muito mal. Equipes Hazmat e uns poucos elementos possuem instrumentos supersensíveis e de baixo nível, que se mostrarão inúteis no evento de uma detonação nuclear”.
Quando o próximo ataque contra os EUA ocorrer, a perda de vidas será terrível. Como o país não está ansioso por aumentar as defesas civis, a única alternativa é lan&cc edil;ar uma ofensiva contra os “patronos do terror”. No calor dessa ofensiva, descobriremos que os inimigos dos americanos não estão limitados ao Afeganistão e ao Iraque, mas incluem muitos outros países, incluindo os maiores e mais populosos. A ação agressiva de George W. Bush corre o risco de descarrilar, justamente porque o inimigo é muito maior e conta com muito mais meios do que desejamos admitir. De nada adianta arrancar alguns tentáculos, quando o monstro tem dúzias deles.
Em um país onde a “opinião pública” é soberana e onde encarar o mal é reputado como negativo, é quase impossível avaliar essa situação de cabeça fria. Os grandes inimigos não são reconhecidos. Apenas aos menores é dado crédito. Esse complexo de otimismo que conduz o americano para a frente, para uma prosperidade que desafia a gravidade, conduz, agora, o país para uma postura militar contrária aos ditames da estratégia correta. A verdade é que nós não conseguimos ter uma visão integral do tabuleiro, onde se desenrola o xadrez geopolítico. Não conseguimos ver a relação integral que a Rússia e a China têm com o terrorismo e com a subversão no Terceiro Mundo.
No antigo clássico chinês, “Lições de Guerra”, somos ensinados a perguntarmo-nos se um inimigo derrotado “está mesmo derrotado ou se apenas finge”. Segundo Lui Ji, “se os sinais que dá são coordenados e suas ordens são uniformemente obedecidas... ele não está derrotado”.
Notas:
© 2005 Jeffrey R. Nyquist
Publicado por Financialsense.com
Tradução: Ricardo A.N. Dornelles
