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Lucio Gutiérrez
Nos meios de comunicação venezuelanos existe uma tendência a interpretar a queda de Lucio Gutiérrez como um revés para Hugo Chávez, pela relação que existiu entre ambos e pela similitude de seus atos. Todavia, é importante analisar o assunto com maior detimento, para não cometer erros. Os fatos são os seguintes:

1. O coronel Lucio Gutiérrez chegou ao poder de maneira similar a Chávez, tentando primeiro um golpe de Estado e depois pela via eleitoral.

2. Para alcançar a Presidência, Gutiérrez recebeu o respaldo da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), organização pertencente ao Foro de São Paulo, e provavelmente o apoio financeiro de Chávez.

3. Uma vez no poder, e dado que não tinha o controle de todas as instituições, Gutiérrez decidiu fazer um governo de coalizão com os partidos tradicionais e fazer acordos estratégicos com os Estados Unidos, o qual foi visto com maus olhos pelos setores mais radicais da esquerda, que começaram a considerá-lo como traidor. Segundo esses setores, A base social que sustentou sua candidatura transformou-se em oposição e os ministros ligados aos setores populares abandonaram o governo. Lucio Gutiérrez buscou então o apoio dos setores políticos já desprestigiados, aos quais ele – precisamente- tinha relevado”.

4. Para o setor mais radical do Foro de São Paulo, a gota d’água que transbordou o vaso foi a decisão de Gutiérrez de colaborar com o Plano Colômbia. Segundo o Comitê Consultivo Nacional do Grupo de Monitoramento dos Impactos do Plano Colômbia, com sede no Equador, Gutiérrez fez de sua nação um “Yunque” ou “Pinça cirúrgica contra-insurgente”, em troca de apoio do Comando Sul dos Estados Unidos. A rede comunista Altercom qualificou Gutiérrez como “o melhor aliado do Presidente Bush e íntimo do colombiano Álvaro Uribe Vélez... fortaleceu o Plano Colômbia dispondo a utilização de jovens soldados equatorianos na fronteira, assinou uma Carta de Intenção com o FMI e permitiu a aberta intervenção dos Estados Unidos”.

5. Basta revisar algunas páginas eletrônicas da esquerda internacional, para se dar conta de que certos membros do Foro de São Paulo, como por exemplo, a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional de El Salvador (FMLN) celebram a queda de Gutiérrez.

É de se esperar que em um futuro próximo, as redes do Foro de São Paulo continuem desestabilizando o Equador, até enquanto não assuma o poder um homem feito à sua imagem e semelhança.

Ao que parece, os que não são suficientemente comunistas como Fidel Castro e Hugo Chávez, são eventualmente abandonados pelo Foro de São Paulo, muito embora tenham chegado ao poder com seu apoio, como ocorreu com Gutiérrez. Isto deveria servir de lição para os “moderados” como Lula e Kirchner, cuja estabilidade também é precária.

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