Realizou-se em Cuba, entre os dias 27 e 30 de abril, com a presença de inúmeros representantes e observadores oficiais (ou extra-oficiais) do Brasil e da Venezuela, o “Encontro da luta contra a Alca”, levado a efeito pela vontade de Fidel Castro, o idealizador e coordenador geral do Foro de São Paulo, como todos sabem, decisivo centro operacional prático e teórico que tem por objetivo “restabelecer na América Latina o que foi perdido na Leste europeu” (palavras de Fidel Castro). Não adianta aqui especular sobre o que se passou em Havana, ou qual determinação teria resultado de tal “encontro”, com a presença ostensiva de Hugo Chávez, visto que o único objetivo do velho ditador é justificar a reconhecida miséria da ilha-cárcere como conseqüência da ação - segundo vocifera – do “imperialismo ianque”.

No entanto, visto que a reunião contra a Alca foi praticamente “amarrada” pela cúpula vermelha no último Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, não seria impertinente lembrar as recentes palavras de Lula, proferidas durante uma reunião com sindicalistas da CUT, quando o sub-Líder Máximo garantiu ter “retirado da agenda oficial” qualquer tipo de negociação para a formação da Alca, a necessária Área de Livre Comércio das Américas. Na prática, e de modo claro, Lula teria apenas antecipado a vontade soberana do mestre Fidel, expressa no documento final do Encontro de Havana: “a luta contra a Alca continua”.

Assim, diante da inequívoca postura presidencial, assumida ao descaro, soa como larga hipocrisia de Celso Amorim, o ministro das Relações Exteriores de Lula, a afirmação à secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, em recente visita ao Brasil, que o objetivo do governo brasileiro é de “dar mais energia à Alca” - quando, de fato, hoje, embora tudo transcorra no terreno da ambigüidade, a Área de Livre Comércio das Américas esteja submersa pela diplomacia de um Itamaraty que se toma por recalcitrante ideológico e de pouca visão estratégica.

Analistas experimentados consideram que boa parte da política externa brasileira, curtida no mais reles anti-americanismo, é uma forma (melhor seria dizer “fórmula”) do PT-governo justificar a política “neoliberal” que adota no terreno econômico, com vistas não só a acomodar os ânimos da chamada ala radical do partido, mas, especialmente, no plano externo, em mostrar que o Brasil é o país líder das esquerdas no continente, capaz de formar um pólo, ao lado da China e da Rússia, para adotar eficiente “coalizão contra os Estados Unidos” (daí a bronca Argentina).

Mais empenhado foi o pronunciamento do leninista Marco Aurélio Garcia (o homem de Lula para a política externa brasileira subterrânea), que classificou como “delírio” a acusação do governo norte-americano (leia-se Pentágono) de que o coronel golpista Hugo Chávez fez dos aeroportos da Venezuela uma ponte-aérea para o trânsito de armas e drogas com destino ao Haiti. O assessor de “política internacional” do companheiro metalúrgico nega, claro (vive disso), mas o fato é que a própria ONU estima que haja mais de 126 mil armas de posse de paramilitares e partidários do deposto Aristide, exilado na África do Sul. A maioria delas, classificadas como fuzis AK-47, armas de preferência do coronel venezuelano, sem falar no volumoso transporte da droga, egressa das FARC, organização colombiana terrorista aliada de Chávez e também integrante do Foro de São Paulo.

O que não dá para entender neste rondó de evasivas e mentiras diplomáticas permanentes é a postura paciente de George W. Bush em querer estabelecer relação aberta e cooperativa com o governo de um partido marxista-leninista – o do PT -, que, não só negligencia a formação da área de livre comércio, mas que, desde a posse do seu mentor, quando na Casa Branca ostentou o broche vermelho do partido totalitário, dá mostras inequívocas de protelar qualquer negociação com os EUA, apesar dos pesares, o nosso maior parceiro comercial, sempre com superávit em favor do Brasil.

É óbvio que Bush, neste aspecto, se comporta como um amador. Fosse ele um profissional do tabuleiro diplomático à altura de um Stalin ou mesmo do ardiloso Fidel, ou atingisse a mínima parte da estatura de um Winston Churchill, já há muito teria decifrado o jogo solerte do governo Lula, ostensivamente terceiro-mundista, comprometido apenas com o leguleio esquerdizante, mas satisfeitíssimo em manter o “status quo” que faz da miséria continental o pasto propício para a própria perpetuação no poder.

Um país da dimensão dos Estados Unidos, o maior PIB do mundo, a força motriz da ciência, da tecnológica e da cultura universal, possuidor das melhores universidades e de um exército que abre corajosamente as fronteiras da democracia ocidental e cristã, não pode nem deve ficar de pires na mão bajulando Lula, Zé Dirceu e Celso Amorim, cavalheiros do século XIX (e olhe lá), comprometidos com os inassimiláveis ensinamentos de Marx, Engels, Mao e Fidel. Deve partir, já e já, para esclarecer a população nativa de que não há comparação lógica entre lutar contra a pobreza ao lado do representante do sistema mais produtivo do planeta – o capitalista – ou ficar com os medievais dispositivos de sobrevivência de Cuba e Venezuela.

Ou Bush esclarece isso de vez ou, o que é mais indigesto, deve deixar o barco à deriva.


Notas:


PS – Por falar em barco à deriva, Waldomiro Diniz foi visto no aeroporto de Brasília, lépido e fagueiro, num espaço de companhia aérea. O ex-assessor do Planalto não queria, óbvio, fugir. Apenas, como recomenda a máxima tantas vezes dita, “voltar ao local do crime”. Sem correr risco algum.

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