por  Sandro Guidalli


Documentário em fase de pré-produção pretende revelar de forma imparcial quem foi o empresário morto nos anos de chumbo pelo terrorismo de esquerda.

 ""
 Henning Albert Boilesen
Está em fase de pré-produção um documentário sobre a vida e o assassinato do empresário dinamarquês Henning Albert Boilesen, morto em abril de 1971 em São Paulo por terroristas de esquerda no auge dos anos de chumbo (1). O filme pretende isenção e imparcialidade na condução dos depoimentos, segundo seus organizadores. O diretor do documentário é o jornalista brasileiro, radicado em Nova York, Chaim Litewski, e a produção é da Palmares, produtora carioca dirigida pelo jornalista e cineasta José Carlos Asbeg. Em 2002 eu entrevistei o filho do industrial (2). Ele afirmou que sobre o pai pesavam acusações estapafúrdias, como a de participar pessoalmente de sessões de tortura na sede do DOI-CODI paulistano e a de arrecadar dinheiro para financiar a agência de repressão do regime militar. Também faz parte do imaginário esquerdista a filiação de Boilesen como colaborador da CIA. Sabe-se que Boilesen jogava no time dos militares mas a chave é saber ao certo até que ponto. O documentário parece querer sobretudo tirar estas dúvidas mas pode resvalar para a condenação de Boilesen (isso não quer dizer que ele tenha de pender para o outro lado).

De acordo com o resumo do projeto ao qual eu tive acesso por gentileza do jornalista Jorge Mello, que participa dele obtendo informações e depoimentos sobre as atividades de Boilesen, o documentário não é revanchista. Diz certo trecho: "É absolutamente essencial que todos os lados – amigos, inimigos, família, admiradores, companheiros de trabalho, e estudiosos do período – sejam ouvidos. Com dois segmentos de 52 minutos cada, este documentário histórico será denso e complexo, como a própria vida de Boilesen".

"" 
 Corpo de Albert Boilesen após atentado terrorista.
Uma questão importante ao seu idealizador seria a seguinte: ele partirá para as perguntas tendo como certa a biografia do personagem feita pelos guerrilheiros e seus simpatizantes ou partirá para elas começando do zero? Qual será a referência principal do fio condutor do filme? Em resumo, Litewski e seus colegas têm como fatos tudo o que já foi dito sobre Boilesen e partirão para consolidá-los no filme ou eles irão ignorar as referências sobre a figura para daí iniciar uma biografia, digamos, menos partidária? Dizem, por exemplo, que Boilesen inventou uma ferramenta de tortura que acabou com o seu nome: a "pianola de Boilesen", uma espécie de teclado que emitia choques elétricos em quem o premesse. Como não deve haver nenhum exemplar de tal aparelho nem provas de que ele foi criado pelo industrial, o documentário deverá limitar-se a contrapor depoimentos em favor ou em repúdio a esta informação. Mas também pode dirigir o roteiro como se isto fosse fato inquestionável.

Seria entretanto uma bela surpresa se o resultado deste trabalho fosse mesmo imparcial. Com a mídia e os meios de comunicação dominados pelo esquerdismo e sua visão dos acontecimentos, isto significaria um contraponto importante que mostraria ser possível analisar este período da História brasileira desapaixonadamente. É óbvio que, independente do resultado do filme, a imprensa irá tratar o personagem de forma negativa ainda que o documentário possa vir a ser favorável a ele, de um modo geral. Mas isso não seria nenhuma novidade. O que importa é torcer para que ele se aproxime da verdade, seja ela qual for.


Notas:


(1) Para mais detalhes sobre os episódios finais da vida de Boilesen recomendo a página do Ternuma www.ternuma.com.br

(2) Mais informações sobre este depoimento ver em http://guidalli.blogspot.com/2002_12_01_guidalli_archive.html

Share