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Bertone Sousa, fusão perfeita do vigarista e do idiota


Não se pode mesmo contentar a todos. Alguns reclamam das respostas que concedi a tipos insignificantes; outros, das que soneguei a tipos ainda mais insignificantes. Entre estes últimos, destacam como vítima especial da minha cruel indiferença o sr. Bertone de Oliveira Sousa, professor de História na Universidade Federal do Tocantins, ao qual, de fato, o máximo que concedi foram uns breves minutos no programa True Outspeak, suficientes apenas para inspirá-lo a produzir, desde então, mais de quarenta páginas de contestações e invectivas. Digo quarenta sem contar os comentários de rodapé que ele próprio lhes acrescenta com esclarecimentos utilíssimos, como por exemplo o de que só critico a USP porque fui ali reprovado no vestibular, informação que obteve da mais fidedigna das fontes, o sr. Paulo Ghiraldelli.

Um traço comum a todos os meus críticos é que, somando milhares e aproximando-se rapidamente da casa das dezenas de milhar, se é que já não a ultrapassaram, cada um se imagina único, especial e merecedor de atenção meticulosa.

Dificilmente pode-se explicar a essas pessoas que, se eu conceder uma hora de atenção a cada uma, empregarei nisso dez mil horas, o equivalente a 1250 dias de trabalho com jornada de oito horas. A própria situação em que se dá o debate mostra, portanto, que a tropa dos meus críticos, tomada como conjunto, conta menos com a qualidade dos seus argumentos do que com a esperança de melar a discussão por uma enxurrada materialmente inabarcável de objeções. Cada um que acrescenta mais algumas palavras ao coro multitudinário sente-se, no entanto, inteiramente inocente de colaborar com o todo e se dá os ares de quem estivesse num honestíssimo debate de um contra um.

O sr. Bertone não constitui exceção. Ele acredita mesmo que disse coisas de uma importância extraordinária, as quais têm de ser aceitas como verdades caso não sejam contestadas com provas e documentos cabais, uma por uma.

A prolífica inspiração que o move, porém, torna impossível responder-lhe ponto por ponto. Nos escritos que consagrou à minha pessoa (não posso dizer à minha obra, pois ele não dá sinal conhecê-la nem de longe), ele cita exatamente 103 linhas cuja autoria me atribui, extraídas não de livros ou artigos meus, mas da transcrição que ele mesmo fez (não vou discutir agora se fiel ou não) de coisas que ouviu no programa “True Outspeak”. Para contestá-las, ele escreve 43 páginas, 1.826 linhas, superando em dezoito vezes a extensão dos trechos comentados. Admito que, por uma fatalidade inerente à linguagem humana, uma afirmação qualquer é sempre mais breve que a sua refutação, mas, se eu concedesse a mim mesmo um espaço de resposta proporcional ao que o sr. Bertone desfruta, suas críticas exigiriam 774 páginas de refutações, mais de sete vezes as que escrevi em resposta ao prof. Alexandre Duguin, o qual, afinal, as merecia porque não estava empenhado apenas no nobilíssimo esforço de emporcalhar uma reputação, mas em traçar um plano estratégico universal, o que não é bem o caso do sr. Bertone. Este simplesmente realiza, em escala pessoal, a mesma operação que meus dez mil críticos realizam em conjunto: sufocar o adversário pelo número de invectivas, tornando irrelevante a qualidade dos argumentos.

Ademais, em cada parágrafo o sr. Bertone comprime tantos erros e absurdidades. que a sua desmontagem requereria muito mais que dezoito linhas de contestação para cada linha de texto.

A impossibilidade, portanto, de dar-lhe uma resposta ponto por ponto obriga-me a fazê-lo por amostragem, na razoável expectativa de que as amostras escolhidas ilustrem tão claramente o seu estilo de argumentação que nada mais seja necessário responder às restantes para demonstrar que não vale mesmo a pena fazê-lo.

Esse estilo compõe-se de três e não mais de três procedimentos:

1) A “ignoratio elenchi”, figura de sofística em que o sujeito aparenta ou finge argumentar contra algo quando na verdade argumenta (e mal) contra outra coisa totalmente diversa.

2) Dados completamente inventados, alguns puramente alucinatórios, citados, é claro, sem fonte ou com fonte falsa.

3) Atribuição paranóica de intenções malvadas em flagrante contradição com o que o autor comentado escreveu.           

AMOSTRA I:

“Olavo de Carvalho também mente quando diz que o governo americano não teve participação no golpe de 64. Kennedy já vinha exercendo pressão sobre o governo brasileiro por um alinhamento contra Cuba e a CIA financiava órgãos daqui para fazerem oposição ao governo Goulart como o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES). A ESG participou ativamente da luta contra a reforma agrária. Segundo o mesmo autor que citei [Boris Fausto], eles chegaram a movimentar um fundo de 12 bilhões de dólares para campanhas contra o governo. E quem estava na linha de frente desse processo era o mesmo Golbery do Couto e Silva que criou a doutrina da ‘segurança nacional’ para legitimar o golpe. E vem um impostor como Olavo de Carvalho dizer que não houve participação americana no processo. Afirmação estapafúrdia que só poderia vir de um sujeito que nunca passou em um vestibular.”

Observações minhas (I)

É a típica “ignoratio elenchi”. Ele finge que vai provar que o governo americano participou do golpe de 1964, mas os argumentos que apresenta vão no sentido oposto: sugerem que esse fato não aconteceu.

1. Se John Kennedy pressionou o governo Goulart para que se alinhasse aos EUA contra Cuba, é que, obviamente, contava com esse governo como um possível aliado na luta contra Fidel Castro, não como um inimigo que tivesse de ser derrubado.

A coisa torna-se ainda mais evidente quando se sabe que João Goulart tomou posse como sucessor de um presidente que era abertamente, escandalosamente pró-Cuba, ao passo que ele próprio, Goulart, não tomara nenhuma posição pública em favor de Fidel Castro até então.

Era natural, portanto, que Washington visse na troca de presidentes a esperança de alguma mudança de rumo na política externa brasileira.

Longe de indicar a intenção de derrubar o governo Goulart, o fato indica antes que Washington pretendia tê-lo como aliado.

2. Mesmo supondo-se que fosse verdade o que afirma o sr. Bertone, que “a CIA financiava órgãos daqui para fazerem oposição ao governo Goulart” – coisa que discutirei mais adiante --, a distância entre financiar partidos e outras entidades de oposição e tramar um golpe é imensurável. Uma coisa é, aliás, o oposto da outra. As entidades assinaladas tinham um papel notório na luta ideológica, atuando através do debate doutrinal e da propaganda. Isso é o que fazem entidades de oposição numa democracia normal. Financiá-las seria apenas favorecer um dos lados na luta democrática. Para acreditar que isso fosse prova de participação num golpe, seria preciso admitir a premissa de que toda propaganda contra um governo é golpista – premissa que o sr. Bertone, num autêntico ato falho freudiano, subscreve sem perceber que o faz.

3. Ainda raciocinando na suposição de que a CIA subsidiasse propaganda anti-Goulart, Cuba, ao mesmo tempo, financiava, armava e dirigia uma operação totalmente diferente: a guerrilha encabeçada pelo fundador das Ligas Camponesas, Francisco Julião. Isso não é opinião minha. É um fato bem documentado, por exemplo, no livro da profa. Denise Rollemberg (pessoa insuspeita de contaminação direitista), “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil", (Rio, Mauad, 2001). Um acidente aéreo em que faleceu o portador de mensagens entre Julião e Fidel Castro fez com que as provas dessa operação fossem parar diretamente nas mãos do presidente Goulart, o qual, em vez de mandar pelo menos investigar essa intervenção armada de um país estrangeiro no território nacional, mais que depressa mandou a papelada de volta para Fidel Castro, cometendo assim o maior crime de traição de que se tem notícia na história presidencial do Brasil.

Se, pois, até o momento, não está provada nenhuma participação do governo americano no golpe de 1964, está, sim, provada a intervenção cubana e a cumplicidade presidencial que viriam a estar entre as causas e razões principais do golpe.

4. Vejamos agora se o tal financiamento da CIA à propaganda anti-Goulart pode ter acontecido, ao menos nos termos em que o descreve o sr. Bertone. Diz este: “Segundo o mesmo autor que citei [Boris Fausto], eles [os opositores a Goulart] chegaram a movimentar um fundo de 12 bilhões de dólares para campanhas contra o governo.” Lendo essa frase, duvido que o sr. Bertone, ao escrevê-la, estivesse em seu juízo perfeito, se é que algum dia esteve. Doze BILHÕES de dólares para uma campanha de propaganda, numa época em que o total dos investimentos estrangeiros no Brasil (americanos e outros) era de 86 MILHÕES de dólares? Ele atribui essa enormidade ao historiador paulista Boris Fausto, mas não cita título nem página e, creio eu, nem poderia fazê-lo, pois Fausto pode ter sido comunista o quanto se queira (não sei se ainda é), mas nunca foi louco nem bêbado. Segundo dados do IPEA (http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/1663/1/TD_1500.pdf), a cifra astronômica apresentada corresponde a quatro vezes a dívida externa brasileira da época e a 139 vezes o total dos investimentos estrangeiros no país. Com valores atualizados pela inflação (v. http://www.davemanuel.com/inflation-calculator.php), equivale a 90 bilhões de dólares de hoje, quase quatro vezes e meia o orçamento da Copa do mundo de 2014, e a quarenta e cinco vezes o gasto total de propaganda dos dois candidatos na eleição presidencial americana de 2012, a mais cara de toda a história dos EUA. Tudo isso para derrubar o  presidente de um país periférico?

O rapaz está, com toda a evidência, delirando, num furor inventivo de fazer inveja ao dr. Paulo Ghiraldelli.

A argumentação do sr. Bertone contra a minha tese constitui-se, portanto, de dois delitos de “ignoratio elenchi” mais uma falsificação monstruosa de dados.

Duas afirmações tolas sem fonte nenhuma e uma terceira completamente doida com fonte falsa. E de nós dois quem se arroga o título de historiador é ele.


OBSERVAÇÕES MINHAS (II)


Há muitas coisas interessantes nas demais páginas do sr.
Bertone. Uma das mais lindas é que ele me acusa de demonizar a esquerda, de mentir dizendo que o nazismo era de esquerda e de ser eu mesmo um nazista. Estou até agora pensando como faço para aderir a uma corrente política e demonizá-la ao mesmo tempo.

Mas não é isso o que interessa agora. O que interessa é mostrar as razões que eu, da minha parte, possuo para pensar que a história da participação americana no golpe de 1964 é uma balela.

Essas razões não vêm de nenhuma conjeturação bilionária, nem de fontes inexistentes como a única citada, no episódio, pelo sr. Bertone.

Vêm de fontes diretas.

Já é um sinal alarmente de vigarice o fato de que alguém que se diz historiador de rofissão julgue as opiniões de um autor só por algumas palavras que ouviu dele num programa de rádio, sem procurar averiguar o que esse autor possa ter dito a mais sobre o mesmo assunto na sua obra escrita. Tanto mais que o sr. Bertone, ouvindo-me apontar erros cabeludos de gramática num dos seus escritos, protestou todo encrespado que redigira a coisa às pressas, incorrendo nos erros por distração e não por ignorância da norma – se bem que cometesse mais alguns no mesmo parágrafo em que explicava isso, e os cometesse repetidamente, o que nenhuma pressa pode explicar. Significativamente, não lhe ocorreu que, já não digo um erro, mas alguma imprecisão devida à pressa seria de se esperar ainda mais numa emissão oral improvisada, e que nenhum juízo se poderia honestamente fazer a respeito sem consultar a sua justificação  escrita. O sr. Bertone não é semi-analfabeto somente nas regras da língua portuguesa, mas também naquelas que regem as discussões de idéias no mundo civilizado: nem mesmo a paridade de direitos e obrigações que tem de vigorar entre os debatedores ele conhece.

Mas nem no exame da pura fonte oral o sr. Bertone age com o mínimo de idoneidade. Ele disse que ouviu uma grande quantidade de programas meus, mas é mentira. Ouviu dois ou três. Caso contrário não se atreveria a insinuar que só contesto a história dos americanos no golpe porque fui reprovado no vestibular da USP (o qual, diga-se de passagem, jamais prestei). Pois então teria alguma noção das fontes e razões em que fundamento a minha atitude, as quais  mencionei vezes sem conta naquele mesmo programa.

Primeira fonte:

Esta veio dos próprios jornalistas de esquerda, que a alardearam imediatamente como prova cabal do envolvimento profundo do governo americano no golpe. Trata-se de uma troca de cartas entre o embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, e o então presidente Lyndon B. Johnson.

Eis o que escrevi, na época, a respeito:

“Desde a faculdade, os estudantes de jornalismo não são ensinados a observar o mundo mas a ‘transformá-lo’ como preconizava Karl Marx. Não querem ser testemunhas da História, e sim ‘agentes de mudança social’. Vacinados contra a idéia de realidade objetiva por meio de teorias tão pretensiosas quanto obtusas, primam em não dizer o que vêem, mas o que querem que o povo acredite. Arrogantes, intolerantes, monstruosamente incultos, quando julgam e condenam o que está acima de sua compreensão não o fazem somente de narizinho empinado; fazem-no com a ilusão de estar combatendo o autoritarismo e a prepotência, o que já é a apoteose da cegueira vaidosa.

“Veja-se por exemplo o que fizeram com a correspondência, recém-divulgada, entre Lincoln Gordon e o governo de Washington. De um comunicado de 29 de março de 1964, em que o embaixador, confirmando a iminência da queda do presidente, insistia para que seus superiores dessem algum respaldo ao movimento que se preparava, tiraram a brilhante conclusão de que aí estava – enfim! – a prova, tão antecipadamente alardeada pela esquerda nacional durante quarenta anos, de que os americanos haviam tramado o golpe ou ao menos tomado parte no seu planejamento. A minha conclusão, ao contrário, é que esses jornalistas não sabem ler ou não quiseram enxergar a data do documento. Na ocasião do comunicado, fazia mais de um ano que líderes civis e militares locais vinham tramando a derrubada de Jango. Se dois dias antes da eclosão do movimento o governo americano era convocado às pressas para fazer alguma coisa, o que isso prova é evidentemente o contrário do que a esquerda sempre alegou. Ninguém prepara um golpe com dois dias de antecedência. Os americanos acompanhavam a coisa de longe e, quarenta e oito horas antes de o general Mourão Filho colocar a tropa na rua, ainda estavam tentando decidir o que fazer. Acabaram, é claro, por não fazer nada.” (“Sem falsa modéstia”, O Globo, 8 de maio de 2004, http://www.olavodecarvalho.org/semana/040508globo.htm.)

Dois anos e meio depois, quando novos documentos que todos os intelectuais iluminados se apressaram a interpretar naquele mesmo sentido, voltei à carga:

“Embriagados de ‘desconstrucionismo’, estilo de pensamento que se gaba de negar a verdade e de utilizar a autoridade da ciência só como instrumento de ativismo político, nossos historiadores acadêmicos e seus acólitos jornalísticos chegam agora ao cume da volúpia desconstrutiva, que é alegar cinicamente em favor de uma tese as provas mesmas que a invalidam.

“O público leigo, desconhecendo a regra do jogo, nem atina com o blefe: imagina estar lidando com historiadores normais, fiéis aos deveres tradicionais da probidade científica, e acaba aceitando pelo valor nominal, sem conferi-las com a fonte, as conclusões que eles dizem ter tirado de documentos.

“Documentos recém-revelados mostram que, em dezembro de 1963, o governo americano, informado do golpe militar que se preparava no Brasil, delineou às pressas um ‘plano de contingência’ para lidar com a situação da maneira mais vantajosa. O plano incluía o envio de navios e tropas para dar respaldo aos golpistas. Passados três meses, não veio navio nenhum nem tropa alguma. No dia 31 de março, com o golpe já nas ruas, o embaixador Lincoln Gordon ainda apelava ao presidente Johnson para que fizesse alguma coisa a respeito. Johnson, por telefone, respondia: ‘Temos de nos preparar para fazer o que tivermos de fazer.’

“Se mesmo depois de eclodido o golpe os EUA ainda estavam ‘se preparando’, e se dos preparativos não resultou ação de espécie alguma, o sentido dos documentos é claro: os americanos recebiam informação de dentro do círculo golpista, mas, apesar de muitos planos e intenções, não fizeram nada. Passados pela máquina desconstrucionista, esses mesmos documentos são agora alardeados como prova de que, ao contrário, os americanos fizeram tudo: inventaram, planejaram, articularam, financiaram e dirigiram o golpe militar. É claro que essa leitura inverte o significado dos textos no instante mesmo em que apela à autoridade deles. Os americanos são poderosos, mas determinar sem ação nenhuma o curso dos acontecimentos é prerrogativa divina. No entanto, qual é o problema? Os desconstrucionistas sabem que estão mentindo, mas aprenderam com Jacques Derrida que a verdade é uma ‘opressão logocêntrica’ e que é preciso destrui-la, a ela e à maldita lógica, por todos os meios disponíveis.

“Numa posição intermediária entre os leigos e os iniciados, os estudantes se submetem à trapaça porque sabem que sem isso suas chances de carreira universitária seriam reduzidas a nada. Entram assim num estado de dissonância cognitiva, de cujos sintomas angustiantes se livram em seguida legitimando ex post facto a vigarice e aderindo a ela com ainda mais fervor do que seus professores, até que o ódio à verdade se transfigure em radical incapacidade de conhecê-la. Isso é o que no Brasil de hoje se chama ‘educação superior’ – tudo pago, é claro, com dinheiro do contribuinte. A universidade brasileira é o departamento intelectual do crime organizado.” (“Blefe historiográfico”, Jornal do Brasil, 23 de novembro de 2006, http://www.olavodecarvalho.org/semana/061123jb.html.)


Segunda fonte:


 A segunda fonte encontrei no livro de memórias do ex-chefe da espionagem soviética no Brasil, Ladislav Bittman, “The KGB and Soviet Disinformation: An  Insider’s View” (London, Pergamon Press, 1985), que nunca tinha sido citado na grande mídia brasileira. Mencionei-a várias vezes em artigos que obviamente o sr. Bertone nunca leu, pois se os lesse não continuaria crendo na lenda das origens americanas do golpe de 1964 com aquela fé cega que se escandaliza e se ofende à primeira tentativa de questioná-la.

 O primeiro desses artigos, creio eu, foi este:

 “Milhões de crianças brasileiras, nas escolas oficiais, são adestradas para repetir que o golpe militar de 1964 foi obra dos Estados Unidos, como parte de um projeto de endurecimento geral da política exterior ianque na América Latina.

 “Sabem quem inventou essa história e a disseminou na imprensa deste país? Foi o serviço secreto da Tchecoslováquia, que naquele tempo subsidiava numerosos jornalistas e jornais brasileiros. O próprio chefe do serviço tcheco de desinformação, Ladislav Bittman, veio inspecionar as fases finais do engenhoso empreendimento que se chamou ‘Operação Thomas Mann’. O nome não aludia ao romancista, mas ao então secretário-adjunto de Estado, Thomas A. Mann, que deveria constar como responsável por uma ‘nova política exterior’ de incentivo aos golpes de Estado.

 “A safadeza foi realizada através da distribuição anônima de documentos falsificados, que a imprensa e os políticos brasileiros, sem o menor exame, engoliram como ‘provas’ do intervencionismo americano. O primeiro lance foi dado em fevereiro de 1964: um documento com timbre e envelope copiados da Agência de Informação dos EUA no Rio de Janeiro, que resumia os princípios gerais da ‘nova política’. A coisa chegou aos jornais junto com uma carta de um anônimo funcionário americano, investido, como nos filmes, do papel do herói obscuro que, por julgar que ‘o povo tem o direito de saber’, divulgava o segredo que seus chefes o haviam mandado esconder.

 “O escândalo explodiu nas manchetes e os planos sinistros do senhor Mann foram denunciados no Congresso. O embaixador americano desmentiu que os planos existissem, mas era tarde: toda a imprensa e a intelectualidade esquerdistas das Américas já tinham sido mobilizadas para confirmar a balela tcheca. A mentira penetrou tão fundo que, três décadas e meia depois, o nome de Thomas A. Mann ainda é citado como símbolo vivo do imperialismo intervencionista.

“A essa primeira falsificação seguiram-se várias outras, para dar-lhe credibilidade, entre as quais uma lista de ‘agentes da CIA’ infiltrados nos meios diplomáticos, empresariais e políticos brasileiros, que circulou pelos jornais sob a responsabilidade de um ‘Comitê de Luta Contra o Imperialismo Americano’, o qual nunca existiu fora da cabeça dos agentes tchecos. Na verdade, confessou Bittman, ‘não conhecíamos nem um único agente da CIA em ação no Brasil’. Mas a mais linda forjicação foi uma carta de 15 de abril de 1964, com assinatura decalcada de J. Edgar Hoover, na qual o chefe do FBI cumprimentava seu funcionário Thomas Brady pelo sucesso de uma determinada ‘operação’, que, pelo contexto, qualquer leitor identificava imediatamente como o golpe que derrubara João Goulart.

“Toda uma bibliografia com pretensões historiográficas, toda uma visão de nosso passado e algumas boas dúzias de glórias acadêmicas construíram-se em cima desses documentos forjados. Bem, a fraude já foi desmascarada por um de seus próprios autores, e não foi ontem ou anteontem. Bittman contou tudo em 1985, após ter desertado do serviço secreto tcheco. Só que até agora essa confissão permaneceu desconhecida do público brasileiro, bloqueada pelo amálgama de preguiça, ignorância, interesse e cumplicidade que transformou muitos de nossos jornalistas e intelectuais em agentes ainda mais prestimosos da desinformação tcheca do que o fora o chefe mesmo do serviço tcheco de desinformação. Quantos, nesses meios, não continuam agindo como se fosse superiormente ético repassar às futuras gerações, a título de ciência histórica, a mentira que o próprio mentiroso renegou quinze anos atrás?

“Neurose, dizia um grande psicólogo que conheci, é uma mentira esquecida na qual você ainda acredita. Redescobrir a verdade sobre 1964 é curar o Brasil. Entrevistar Ladislav Bittman já seria um bom começo.”  (“Sugestão aos colegas”, Época, 17 de fevereiro de 2001, http://www.olavodecarvalho.org/semana/sugestao.htm.)

           

Terceira fonte:


Esta obtive pessoalmente, durante as investigações que estava realizando para a reedição ampliada do livro “O Exército na História do Brasil” (Rio de Janeiro, Fundação Odebrecht & Biblioteca do Exército, 1998).


Trata-se de uma entrevista que fiz com o ex-governador paulista Paulo Egydio Martins, um dos líderes de primeira hora da conspiração que derrubou João Goulart. Perguntei-lhe:

-- Dr. Paulo, é verdade que o governo americano participou da preparação do golpe, ou ajudou de algum modo?

-- Não, não é.

-- Como é que o senhor sabe?

-- Sei disso porque fui eu mesmo quem foi lá pedir ajuda em nome do comando revolucionário, e a resposta foi um “Não”. O máximo que eles se dispunham a fazer era cumprir a obrigação constitucional de deixar uma frota ancorada nas redondezas, para retirar os cidadãos americanos do território no caso de um conflito armado de maiores proporções.

-- Só isso?

-- Para não dizer que foi só isso, consegui a duras penas convencer o secretário de Estado Adolf Berle Jr. a nos enviar um navio-tanque com combustível para reabastecer, se necessário, os veículos das Forças Armadas a ser usados na operação, pois o nosso estoque de gasolina estava baixo. Mas não foi ajuda, foi negócio. O combustível não foi dado, foi vendido. O Berle me exigiu desde logo uma grande soma em depósito. Eu não tinha o dinheiro, pedi emprestado ao meu sogro, Alberto Byington, e paguei. Acabamos não usando o combustível e o navio foi de volta para os EUA. Mas os americanos nunca nos devolveram o dinheiro do depósito. Isso foi a bela ajuda que nos deram.         


Conclusão desta parte:


Essas três fontes, somadas, mostram que é no mínimo uma imprudência continuar acreditando, sem mais nem menos, na história da ajuda americana ao movimento de 1964, para não falar de versões mais ousadas segundo as quais “o golpe começou em Washington”.

Um povo que, decorrido mais de meio século, continua dizendo amém a uma mentira confessadamente espalhada pelo serviço de desinformação soviético, prova que não tem consciência da sua própria história e que, assim, não tem meios de dirigir o curso do seu próprio destino.

E um historiador que, sem nada investigar pessoalmente, sem nada pesquisar nem mesmo em livros, sai difamando alguém por uma opinião fundamentada, inventa absurdidades para desmenti-lo e ainda cita fontes inexistentes, é com toda a certeza um charlatão que deveria ser expelido de toda atividade de ensino, para não dizer dos círculos mais altos da vida intelectual.

 

[Continua}

           


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