Una disfunción eréctil es la impotencia de obtener o mantener una erección. comprar cialis sin receta en madrid saber cuál es el medicamento ideal para usted depende de diferentes factores. L'excitation sexuelle masculine est un processus complexe qui implique le cerveau, les hormones, les émotions, les nerfs, les muscles et les vaisseaux sanguins. La dysfonction érectile peut résulter d'un problème avec l'un de ces. De même, le stress et la santé mentale préoccupations peuvent causer ou aggraver la dysfonction érectile. Où achat levitra france vous avez trouvé une #pharmacie online ici http://trendpharm.com/ #levitra. Lorsque des problèmes se produisent dans la chambre, les émotions peuvent exécuter élevé. Si vous avez commencé à éviter les rapports sexuels par crainte de ne pas obtenir une érection, votre partenaire peut commencer à vous pensez ne trouvent plus attrayants. Sentiments se blessent. En couple commencent à se sentir moins intime. Le ressentiment se insinue.

en

Nos dias correntes, nada mais eficiente para apaziguar os ânimos exaltados pela corrupção exposta pela Operação Lava Jato e pela calamidade em que se encontra a economia do que festejos e entretenimento.


A evolução tecnológica e o desenvolver das ciências nos elevam a condições de vida cada vez mais sofisticados, mas não se alteraram no homem sua características, desejos e necessidades mais essenciais. Dentre as quais, está a capacidade de confrontar sua condição enquanto integrante de uma sociedade. Tal capacidade é o grande empecilho encontrado pelos aspirantes ao pleno poder político desde os tempos do antigos imperadores até hoje.

Uma das estratégias políticas mais emblemáticas e conhecidas de Roma, a política do "pão e circo" visava conter possíveis distúrbios sociais decorrentes das péssimas condições de vida geradas pelos próprios governantes. Consistia em saciar a fome e conter os ânimos dos cidadãos através do entretenimento em arenas como o Coliseu, com lutas de gladiadores, encenações, corridas de bigas e quadrigas. Cada César que subia ao poder, tinha, dentre suas metas de governo, o patrocínio de mais dias de entretenimento seguidos do que o César anterior. Quem controla a massa, controla o poder e nele se mantém.

Passados os séculos, a manipulação por meio do espetáculo ainda é usada pelo estamento político, que faz uso de antigos e novos entretenimentos coletivos, conjugados com modernas técnicas de persuasão e inoculação anestésica de novos modos de pensar e agir.

Dentre tudo o que o colonizador português legou ao Brasil, consta a tradição européia do Entrudo, uma série de jogos e brincadeiras populares realizados de forma espontânea pela população nos três dias anteriores à Quaresma. Por volta do século XIX, governantes passaram a tentar acabar com essa festa popular, considerada grosseira, suja e violenta, tendo com isso perdido força nos primeiros anos do século XX.

Não obstante, e como fruto das influências positivistas e iluminitas que o estamento político brasileiro herdou da Revolução Francesa, houve o reavivamento da tradição portuguesa do Entrudo, sob o nome de Carnaval. O festejo então deixa de ser uma festa do povo para constituir-se parte da política do Estado. Fartamente patrocinada por verbas estatais através dos três entes da federação, a simples manifestação popular torna-se uma ferramenta política para conduzir as massas como gado.

Em Roma, césares patrocinavam com as verbas dos impostos pão e circo; hoje, o Estado Entrudo Brasileiro patrocina camisinhas e circo através do esperado Carnaval. Vale destacar que tanto no Entrudo original quanto na política do pão e circo, o entretenimento estava ligado a jogos e interpretações de situações do cotidiano e da história. No Estado Entrudo Brasileiro, os festejos carnavalescos se estendem por todo o ano, através dos campeonatos de futebol e das novelas que trazem implícita a agenda política. Com uma agenda de entretenimento como essa, o estamento político brasileiro supera os Césares de Roma.

O estamento sabe que a exposição contínua a essa série de entretenimentos induz uma petrificação do imaginário, que anestesicamente retira do cidadão sua ínsita capacidade de, por si, criar, destruir e recriar sua auto-determinação conforme o que a realidade lhe impõe, pois perde o ímpeto de confrontar hipóteses opostas às versões dos fatos que lhe são apresentadas. Seu entendimento fica, a cada dia, menos operado por si mesmo e cada vez mais dependente das agendas da elite política disseminadas pela mídia de massa.

A elite domina o processo tal qual o escritor de um romance direciona e conduz os personagens de sua obra, e sabe que um estado de indignação e de cansaço dos cidadãos para com os desmandos do governo, quando intermediado por um festejo, é revertido: as tendências agressivas são neutralizadas, e o cidadão, após extasiar-se nos folguedos, não só retorna para seus afazeres diários com "ânimo renovado" para enfrentar as dificuldades geradas pelo próprio estamento político, mas tende à conformação, e a julgar que pouca coisa pode fazer para mudar o estado de coisas. Como se já não bastasse o massacre midiático que obstrui sua capacidade de percepção da realidade política - a primeira arma de um cidadão vivendo numa democracia -, e que é exatamente aquilo que pode fazer, num segundo momento, fazer alastrar-se a rede de contrapontos capaz de sanear, aos poucos, uma cultura manipulada pela elite.

O domínio do imaginário e do comportamento da população por parte da elite, que usa Estado Entrudo com o trio carnaval, futebol e novela, chegou ao ponto de não só esses entretenimentos serem tidos como caracterizadores da identidade nacional, mas de influenciar a massa de tal forma que, em muitos ambientes, tudo o que, a essas três coisas e a mais algumas irrelevâncias não se refira, causa instantâneo repúdio. Não se pode pôr em discussão  algum tema mais relevante, ou simplesmente que se critique a desproporcional importância e tempo diário que estão perdendo com tais distrações até mesmo em detrimento do crescimento pessoal. E o fenômeno não se restringe à massa inculta. Acomente também cidadãos letrados.

Nos dias correntes, nada mais eficiente para apaziguar os ânimos exaltados pela corrupção exposta pela Operação Lava Jato e pela calamidade em que se encontra a economia do que festejos e entretenimento.

Ao povo brasileiro, transformado em folgazão através do Estado Entrudo, totalmente representativo do seu atual estado de embriaguez psicológica e moral, cito trecho do livro 'As Ilusões Perdidas', de Honoré de Balzac:

No dia seguinte pela manhã, Lucien, que acabara de compor sua última canção, procurou cantá-la segundo uma música então em voga. Ao ouvi-lo cantar, Bérénice e o padre tiveram medo que tivesse enlouquecendo:

Amigos, a moral na canção
Causa-me e me entedia;
Quando é à Loucura que se serve?
Aliás, diz Epicuro, todos os refrãos são bons
Quando se brinda com folgazões
Não procuremos Apolo
Quando Baco nos entretém;
RIAMOS! BEBAMOS! E ZOMBEMOS DE TUDO O MAIS.
Hipócrates a todo bom bebedor
Prometia cem anos.
Que importa, ao final, se por desgraça
A perna vacilante não mais pode perseguir sua gatinha?
Basta que, para entornar uma garrafa,
A mão seja sempre ágil!
Bebendo e brindando assim
Até os sessenta anos chegaremos.
RIAMOS! BEBAMOS! E ZOMBEMOS DE TUDO O MAIS.
Deseja saber donde viemos,
É muito fácil: Mas, para saber onde iremos,
É preciso ser astuto.
Enfim, sem nos inquietar,
Usemos até o final, da bondade celeste!
É certo que morreremos;
Mas é igualmente certo que vivemos;
Riamos ! Bebamos! E zombemos de tudo o mais.

Não é sem motivo que dizem que "Deus é brasileiro". Para o estamento, ótimo. A elite não quer cidadãos conscientes, e sim folgazões, indiferentes, viciados e amorais: quatro tipos não apenas facilmente maleáveis, mas que também infestam as instâncias de poder e governo no país.

O povo transformou-se num amontoado de pessoas as mais epidérmicas possíveis, sem nenhum valor universal relevante a legar a seus descendentes e ao mundo; o legado é o maior caso de corrupção governamental já constatado na história, sendo esse o maior exemplo do que ocorre quando a população tem suas ações e conclusões substituídas pelas que foram inoculadas pelo estamento.

É difícil saber quando isso vai mudar. Pois depende do insurgir-se de cada um face ao Estado Carnavalesco em que vivemos, dando, cada indivíduo, o devido grau de importância a tudo, e também a formas melhores e mais enriquecedoras de entretenimento.

Até esse dia chegar, infelizmente, continuará a massa agindo como no poema de Balzac, rindo, bebendo e zombando de tudo. Afinal, o carnaval, e, junto com ele, o Estado Entrudo, está aí, para proporcionar a festa que afunda o povo brasileiro cada vez mais no mar da insignificância e da subserviência.


Adalberto Salvador Perillo Kühl Júnior é advogado e reside em São Paulo.




Share

Tags: cultura | Brasil | história