A austeridade é somente para os povos da Europa. Enquanto isso, a União Europeia aumenta as despesas com propaganda, pseudo-informação e sub-informação.


“The European Parliament is to spend almost £2 million on press monitoring and trawling Eurosceptic debates on the internet for “trolls” with whom to debate in the run-up and during euro-elections next year amid fears that hostility to the EU is growing.”
Do The Telegraph: EU to set up euro-election 'troll patrol' to tackle Eurosceptic surge

O Parlamento Europeu vai gastar cerca de 2 milhões de euros no combate aos eurocéticos na internet, colocando funcionários da União Europeia em debates na rede. Ou seja: criará uma brigada mercenária contra os eurocéticos, que começa a funcionar já neste mês de fevereiro.

Perante o aumento da impopularidade da União Europeia que se manifesta nas redes sociais da internet, a União Europeia cria uma espécie de “patrulha do pensamento” constituída por funcionários treinados e pagos para debater on line contra os eurocéticos.

Em contraponto, e num momento de austeridade na maioria dos países da Europa, a União Europeia vai aumentar em 15% o financiamento dos partidos políticos com representação no parlamento europeu — por exemplo, o PPE (Partido Popular Europeu) — e vai gastar cerca de 10 milhões de euros no novo Museu da Europa.

Acresce-se um gasto de mais 82 milhões de euros na inauguração, em 2015, da “Casa da História Europeia” que pretende “celebrar a memória histórica da União Europeia” e promover a “consciência da identidade europeia”. Para além disto, o dinheiro disponível para “seminários, simpósios e atividades culturais” que façam propaganda à União Europeia vai aumentar em 85%, e a despesa da União Europeia com “informação audiovisual” vai aumentar em 36%.

Portanto, a austeridade é somente para os povos da Europa. Enquanto isso, a União Europeia aumenta as despesas com propaganda, pseudo-informação e sub-informação.

O slogan desta União Europeia “cusca” é: “mais Europa e não menos Europa”. Faz lembrar o slogan dos comunistas na falecida RDA durante a década de 1980: “mais comunismo e não menos comunismo”. Perante a crise do comunismo, os comunistas pediam mais comunismo — e depois foi o que se viu.

 

Orlando Braga edita o blog Perspectivas.



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