Rui Rangel vem dizer que “uma mulher não pode ter os filhos que quiser”. E, portanto, defende implicitamente a laqueação das trompas coerciva às mulheres “refratárias” por ordem judicial.

Uma mulher como Liliana Melo, que se dispõe a ter 10 filhos, é um fenômeno raro em Portugal e deveria ser protegida pela sociedade.

José Manuel Fernandes escreve acerca do caso Liliana Melo e, citando o hebdomadário Expresso, denuncia a coação dos técnicos da segurança social, apadrinhados pelos tribunais portugueses, sobre mulheres — portuguesas ou residentes em Portugal — de origem africana no sentido da laqueação de trompas. Não estamos a falar de sugestão; em vez disso, falamos de imposição ou coação sobre mulheres com muitos filhos.

José Manuel Fernandes escreve:

«Primeiro que tudo, o problema da imposição da laqueação de trompas. O tribunal, apoiado pela corporação dos juízes – da associação sindical a um comunicado apócrifo do Conselho Superior da Magistratura -, sustenta que a decisão de tirar os filhos à mãe nada teve a ver com o fato de esta, por razões religiosas, não aceitar realizar aquele tipo de operação.

O tribunal diz até que Liliana a “aceitou” num acordo com os técnicos da Segurança Social. O que não deixa de ser extraordinário, pois aparentemente o tribunal não se interrogou sobre as condições em que Liliana terá sido levada a aceitar um “acordo” que, sendo conhecida a sua religião, mais soava a imposição.

Por outro lado, conforme relatava o último Expresso, este tipo de imposição está a tornar-se muito habitual na Grande Lisboa. A “sugestão” vem por regra de técnicos da Segurança Social, as destinatárias são quase sempre mulheres de origem africana. É uma solução expedita que desobriga os técnicos e lhes permite passar o problema ao hospital, altura em que os serviços lavam dele as mãos.»

Sobre o atoleimado juiz corporativista Rui Rangel, José Manuel Fernandes escreve:

“Aquilo que parece ser proibido, seguindo a lógica da sentença, é ser pobre e ter muitos filhos. Não está lá escrito, mas é o que está implícito numa declaração do juiz Rui Rangel ao PÚBLICO, em que defendeu que os pais “não podem ter os filhos que querem” se não tiverem condições. Ficamos sem saber o que sugere nesses casos. Talvez a castração, pois é o passo que falta dar.”

“O tonto não se contenta com a violação de uma regra ética: pretende que a sua transgressão se converta em regra nova” - Nicolás Gómez Dávila.

Eu quero acreditar que Rui Rangel não representa a opinião da maioria dos juízes portugueses, porque se assim fosse, estaríamos numa situação de necessidade urgente de uma limpeza geral na magistratura. Ou seja, teria que dar razão ao Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto.

Numa altura em que a taxa de fertilidade da mulher portuguesa é de 1,3 filhos, e sabendo que a taxa de fertilidade de reposição demográfica é de 2,1 filhos por mulher, o atoleimado Rui Rangel vem dizer que “uma mulher não pode ter os filhos que quiser”. E, portanto, defende implicitamente a laqueação das trompas coerciva às mulheres “refratárias” por ordem judicial. Em vez de pensar no país e no seu futuro, o aparente tolo Rui Rangel olha para o seu umbigo e para o seu bolso. O problema é que eventuais tolos como ele são os primeiros a ter acesso às pantalhas e aos me®dia...

Uma mulher como Liliana Melo, que se dispõe a ter 10 filhos, é um fenômeno raro em Portugal e deveria ser protegida pela sociedade.

E o que acontece? Um fac-símile de palerma como o Rui Rangel, aparecendo nos me®dia na sua condição de juiz e, por isso, falando implicitamente em nome da magistratura, defende a perseguição, por parte das instituições do Estado, a mulheres como Liliana Melo. Pelo provável idiota aqui retratado, se vê o estado a que chegou a nossa magistratura…

“O calor humano de uma sociedade diminui à medida em que a sua legislação se aperfeiçoa.”
Nicolás Gómez Dávila

 

Orlando Braga, português, edita o blog Perspectivas – http://espectivas.wordpress.com

 


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