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Se os protestos se dirigem contra o governo Dilma, mas estão amparados por uma esquerda e extrema-esquerda unida em coro e dinheiro globalista, não será estranho se além das bandeiras da censura às mídias e a marcha da maconha, aparecer no cenário uma grande onda de “Lula lá” ou pior.


Os protestos dos últimos dias são parte de um programa organizado que têm como estrutura uma ampla rede de captadores de verbas de incentivo à cultura, mídias e movimentos sociais ligados ao Governo, financiados por empresas como a Petrobrás e que tem como principal fonte de apoio internacional a Fundação Open Society, do megainvestidor George Soros. Não há mistério nisso, já que toda essa rede tem suas relações abertas e declaradas em seus sites, bastando ao descrente averiguar por si mesmo seguindo caminho óbvio pelas fontes do dinheiro e das teorias amplamente difundidas nestes meios. O que pouco se sabe é o funcionamento interno dessa rede e que possibilitou a organização massiva dos protestos recentes.

Estes grupos que recebem dinheiro público são ligados aos partidos de extrema-esquerda que utilizam punks como arma de guerrilha. São muitas as causas, pretextos subjetivos e reclamações sentimentalistas, mas a mentalidade esquerdista é o fator integrador dos protestos. Desavisados, muitos cristãos confundem a justiça social pedida nos cartazes com o Reino de Deus na Terra, patriotas nostálgicos e progressismos infantilóides bradam o “despertar do gigante”; clamores oriundos da ingenuidade típica das massas de manobra.

O sociólogo pós-marxista Alain Touraine, no livro ‘Crítica da modernidade’, identifica o movimento social como o “sujeito” que, afastado do conceito de “luta de classes”, transfigura-se em projeto cultural. Funciona como um criador de consciências e transformador da sociedade já que a consciência de classe não existe e deve ser forjada com a própria militância, como admitiu o também marxista Ernesto Laclau. Portanto, a única espontaneidade dos protestos é a do servilismo útil fruto da crença equivocada no domínio popular do sentido da história, alimentada por décadas de ensino e mídia revolucionária. Quando se trata de correntes de esquerda, a massa útil de indignados só serve de bucha de canhão para destruir a ordem estabelecida e fincar no solo destruído a bandeira totalitária.

O livro Movimentos em Marcha: ativismo, cultura e tecnologia, escrito em conjunto entre os principais articuladores dessa rede de captadores e empreendedores dos movimentos sociais, conta os bastidores do debate entre eles e o governo na busca de verbas e apoios institucionais para viabilizar essa rede de mobilização em massa que une partidos de esquerda e intelectuais das mídias digitais.

Essa rede é representada pelo movimento Fora do Eixo que “dispõe de 57 CNPJs de todo tipo: editora, produtora, bar, ONG, Oscip, fundação… Grande também é o número de cartões que eles podem utilizar para financiar projetos e despesas”.

“Vinte e oito pessoas têm a senha do cartão do banco e podem utilizá-lo livremente para suas despesas pessoais. Tudo que precisam fazer é discriminar e justificar o gasto. Em resumo: se você entra e trabalha para o Fora do Eixo, você tem todas suas despesas pagas. E esse tipo de remuneração é seguido por até 2 mil pessoas pelo país nos coletivos ligados ao circuito. [...] É com esse orçamento ultrassocialista que alugaram, no começo de 2011, a casa em São Paulo, e estabeleceram ali a nova sede para uma nova fase. O Fora do Eixo montou seu quartel-general no coração do eixo. Agora, com a trama bem costurada em 112 cidades, a estratégia é ganhar o mainstream, atrair artistas com carreiras mais consolidadas e criar um polo para atrair gente, dinheiro e oportunidades” (Movimentos em Marcha: ativismo, cultura e tecnologia)

É claro que toda essa rede tem servido a projetos culturais, shows, festas e divulgação de artistas independentes etc. Mas foi justamente de dentro dessa estrutura de Ongs, Oscips e fundações que veio todo o apoio para a organização das manifestações. Mais do que isso: toda a teoria globalista de esquerda que propõe uma nova contracultura por meio de uma sonhada “regulamentação das mídias digitais” é difundida no Brasil por meio destes movimentos aliados à Marcha da Maconha, liberação de todas as drogas, cujo garoto propaganda é FHC, súdito de Lord Soros.

“O Fora do Eixo cria, portanto, uma geração que se utiliza sem a menor preocupação ideológica de aspectos positivos da organização dos movimentos de esquerda e de ações de marketing típicas dos liberais. É, como disse, o teórico da contracultura Cláudio Prado, a construção da geração pós-rancor, que não fica presa à questões filosóficas e mergulha radicalmente na utilização da cultura digital para fazer o que tem que ser feito”.

Durante a gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, Cláudio Prado foi “um dos principais braços na hora de abrir o acesso da molecada representada pelo Fora do Eixo em Brasília”. Suas reivindicações eram a ampliação do acesso às mídias digitais, regulamentação da mídia, descriminalização da maconha, entre outras. E foi grande a parceria e o apoio daquele ministério a este movimento, que praticamente fundou suas bases naquele governo. Acontece que o governo Dilma não manteve o mesmo nível de diálogo.

“O MinC hoje desconstruiu esse diálogo. Deixou órfãos milhares de esperanças. A perda desse diálogo do governo com a sociedade civil é que estamos chamando de retrocesso. Mas isso é um acidente de percurso – os movimentos desencadeados nos oito anos de Lula são inexoráveis”, diz Prado no livro e promete:

“O sonho não acabou não… Ele renasce tropicalista, na vocação plena do Brasil Fora do Eixo. O governo voltará a nos entender…”, garante.

Se os protestos se dirigem contra o governo Dilma, mas estão amparados por uma esquerda e extrema-esquerda unida em coro e dinheiro globalista, não será estranho se além das bandeiras da censura às mídias e a marcha da maconha, aparecer no cenário uma grande onda de “Lula lá” ou pior.

Para quem achou a transição de um governo da esquerda fabiana (FHC) a um governo sindicalista (Lula) um rumo mais à esquerda, espere para ver a próxima etapa, já que os atuais líderes dos protestos julgam o PT um partido elitista e burguês. Eis o grande “salto” prometido na propaganda do partido. Um salto ao abismo.

 

Cristian Derosa é jornalista e aluno do Seminário de Filosofia.

 


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