| 11 Novembro 2009
Internacional -
América Latina
Quem faz acordo com revolucionários deve ter sempre em mente a admoestação de Churchill a Chamberlain no seu retorno dos acordos de Munich com 'Herr Hitler': 'podias escolher entre a humilhação e a guerra, escolhestes a humilhação, e terás a guerra'.
No último artigo dei a partida ganha para o Foro de São Paulo, mas subestimei a capacidade das azuis de contra-atacar. O Xeque-Mate parecia iminente, mas o Governo Constitucional conseguiu o mais difícil: conformar no prazo acordado um governo de coalizão sem Zelaya e, mais importante, conseguir a declaração do Senador americano John de Mint de que 'o governo Obama finalmente retificou sua política equivocada com relação a Honduras'. De Mint é altamente qualificado na oposição Republicana para falar sem informações de primeira. É de se notar que a Hilária Clinton praticamente saiu de cena e De Mint fala com mais propriedade do que Shannon, o representante oficial de seu país.
Alguns fatores ocorreram para justificar uma 'retificação', se não uma virada completa: às duas derrotas e um empate eleitoral - a reeleição de Blomberg, um prefeito independente - nos EUA, o despencar de sua popularidade e a óbvia dupla derrota no Afeganistão - militar e política com Hamid Karzai fraudando as eleições - somaram-se mais recentemente a derrota do casamento gay no ultra-liberal Maine, deixaram o Obaminável numa posição difícil, impensável há meses atrás.A rejeição ao casamento gay foi em grande parte obra do bispo batólico Richard J. Malone que distribuiu DVD, anúncios nos Boletins Paroquiais, coleta para angariar fundos para a campanha contra o desvirtuamento do conceito de casamento e uma contundente carta que deveria servir de exemplo à CNB do B. A reação cristã vem bem a tempo, no mesmo dia em que um Oficial muçulmano do exército americano provocou um morticínio da base de Fort Hood, Texas e da divulgação de um vídeo com uma seleção de declarações do Obaminável sobre o Islã (ver abaixo, nesta página).
Voltando a Honduras. As azuis ainda podem virar o jogo, mas têm que deixar de jogar limpo com jogadores de golpes sujos como são os comunistas (se alguém disser 'bolivariano' eu esgano!). Um dos lances mais inocentes está no item 5 do Acordo de Conciliação Nacional: aceitar um acordo que estipula 'que o Congresso (...) resolva a respeito a "retroagir a titularidade do Poder Executivo ao seu estado prévio ao 28 de junho até a conclusão do atual período governamental, em 27 de janeiro de 2010'. Será que não se deram conta que Zelaya, Insulza, Lula, Chávez, MAG et caterva não iriam interpretar como a volta de Zelaya, que era o Presidente no 'estado prévio ao 28 de junho'?
Quem faz acordo com revolucionários deve ter sempre em mente a admoestação de Churchill a Chamberlain no seu retorno dos acordos de Munich com 'Herr Hitler': 'podias escolher entre a humilhação e a guerra, escolhestes a humilhação, e terás a guerra'. Zelaya já pôs as SA nas ruas, embora sem muito sucesso pois suas turbas não estão bem organizadas.
