De imediato, os salvadorenhos deverão lutar para evitar que o FMLN convoque uma Assembléia Constituinte, passo preliminar para controlar os poderes públicos, permitir a reeleição indefinida e perseguir opositores e meios de comunicação.

O renhido triunfo obtido pela Frente Farambundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) é a conseqüência, não de sua proposta, mas do desgaste de vinte anos de governo nas mãos de um mesmo partido. O povo salvadorenho quis uma mudança – como ocorreu na Venezuela há dez anos – sem se dar conta de que mudar não significa necessariamente melhoria, senão – como se verá muito em breve – uma piora de sua situação.

Afortunadamente, não se desatou a violência como seguramente teria ocorrido com uma derrota do FMLN, que havia ameaçado desconhecer qualquer resultado adverso. Por sua parte, a Aliança Republicana Nacionalista (ARENA) reafirmou sua vocação democrática submetendo-se à vontade popular, apesar das falsas acusações sobre uma possível fraude eleitoral.

Durante os últimos meses Mauricio Funes assegurou repetidas vezes que sua proposta nada tinha a ver com a de Chávez, e que havia “uma campanha do medo” para vinculá-lo com o ditador venezuelano. Entretanto, na noite mesma das eleições, os dirigentes do FMLN, José Luis Merino e Orestes Ortez tiraram a máscara, referindo-se a Hugo Chávez como “o novo Bolívar da América Latina”, através de uma entrevista concedida ao canal do Estado venezuelano.

Há vários aspectos positivos que vale a pena destacar:

Primeiro, a designação pública e constante dos vínculos entre Chávez e o FMLN impedirá que Funes possa repetir facilmente o esquema seguido por Chávez, Morales e Correa. O povo e os setores democráticos estarão atentos e vigilantes para impedir que em El Salvador se confisquem as liberdades como ocorreu na Venezuela, Bolívia e Equador.

Segundo, a crise econômica mundial que já golpeou duramente a capacidade do governo venezuelano para exportar sua revolução, também afetará a gestão de Funes que deverá concentrar seus esforços em responder às exigências concretas do povo salvadorenho. Esta realidade irá lhe diminuir a capacidade de manobra para impor sua agenda política.

Terceiro, as organizações democráticas de El Salvador, ver-se-ão obrigadas a reorganizar suas forças e a repensar sua proposta, a fim de oferecer ao povo uma solução definitiva para seus problemas, baseada em um renascimento moral, econômico e cultural.

Embora seja certo que o triunfo do FMLN constitui uma tragédia para toda a América Central, também é certo que as dificuldades – como as que se avizinham para El Salvador – despertam reações positivas e forças benéficas, que servem para purificar e engrandecer as nações.

De imediato, os salvadorenhos deverão lutar para evitar que o FMLN convoque uma Assembléia Constituinte, passo preliminar para controlar os poderes públicos, permitir a reeleição indefinida e perseguir opositores e meios de comunicação.

A União das Organizações Democráticas da América – UnoAmérica – estará sempre presente para colaborar com a defesa do estado de Direito, da liberdade e da justiça em El Salvador. Oferecemos ao povo salvadorenho uma mão amiga, junto com nossas palavras de esperança e alento.



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