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Quando penso nos Estados Unidos, penso em liberdade; liberdade para buscar os meus objetivos, liberdade para adorar ou não adorar, se eu bem quiser, e liberdade para me expressar. Mas, esperem! Esta liberdade para me expressar está a ter dificuldades em nadar por águas onde a assim-chamada "sabedoria" é recebida e aceite, em vez de desafiada e criticada.

Tomemos como exemplo o fenômeno do politicamente correto. Pela primeira vez na história americana, nós não podemos dizer o que pensamos. Podemos ter problemas sérios por afirmar coisas que podem ser qualificadas de "ofensivas", "insensíveis" ou - Deus proíba - "discurso de ódio." Isto leva-nos a perguntar: de onde se originou o politicamente correto (PC) e, mais importante ainda, quais são os seus propósitos?

Quando nós analisamos o PC de volta às suas raizes, ficamos a saber que o mesmo remonta ao início do século 20. Até essa altura, os teóricos marxistas acreditavam que, devido à sua identidade operária comum, a classe operária dos países europeus se uniria e se apoiaria mutuamente no seu esforço de revolta contra a classe dominante dos seus países.

Em 1914 esta teoria revelou-se um fracasso total visto que a classe operária foi fiel e leal aos seus respectivos países e lutou uma contra a outra, embaraçando teóricos marxistas como Antonio Gramsci e George Lukacs. Eles, por sua vez, alegaram que a cultura ocidental havia cegado a classe operária em relação aos seus interesses de classe marxistas, e o cristianismo em particular tinha que ser destruído.

Por volta de 1923, na Alemanha, um think-tank foi estabelecido (mais tarde conhecido apenas como "A Escola de Frankfurt") como forma de gerar as bases do politicamente correto tal como o conhecemos hoje. Max Horkheimer, um jovem marxista alemão judeu - que mais tarde se tornou famoso pelo seu trabalho em torno da "Teoria Crítica" - apercebeu-se que a revolução nunca viria da classe operária e como tal seria necessário encontrar alguém para tomar o seu lugar. Ele apercebeu-se que a cultura, especialmente a cultura ocidental, poderia ser destruída criticando-a.

Martin Jay, (do departamento de História de Berkeley e autor do famoso livro “The Dialectical Imagination-A History of the Frankfurt School”) afirma:

"Eles (os eruditos da Escola de Frankfurt) eram freudianos radicais esperançosos que o uso da psicanálise pudesse terminar o que Wilhelm Reich havia classificado de "alienação sexual".

Por outras palavras, eles queriam que as sociedades sentissem que eram vítimas de opressão devido à presença da moral e dos valores largamente derivados do cristianismo.

Pode-se perguntar: como é que estas ideologias se propagaram pelos EUA? Depois do Partitido Nacional-Socialista ter chegado ao poder na Alemanha, muitas instituições foram fechadas, entre elas a Escola de Frankfurt. Estes marxistas viram-se na obrigação de fugir. Adivinhem para onde? Exatamente. Para os Estados Unidos: para Nova York, com a ajuda da Columbia University, se posso acrescentar.

Max Horkheimer e outro marxista proeminente, Herbert Marcuse, que também trabalhou para a Office of Strategic Services-OSS (a antecessora da CIA), mudaram-se para Hollywood. No ano de 1952, Marcuse deu início a uma carreira de ensino como teórico político na Columbia University e terminou a sua carreira em 1965 na Universidade da Califórnia, San Diego.

Durante os anos 60, Marcuse viu uma oportunidade dourada para avançar com a sua ideologia marxista através da rebelião estudantil à guerra do Vietnã. No seu livro "Eros and Civilization", que praticamente se tornou uma bíblia para os estudantes rebeldes, Marcuse fez indagações filosóficas em torno de Freud, mas o sentimento geral era o marxismo. Ali Marcuse propõe: "faça as coisas da tua forma", "se sabe bem, faz." Para além disso, ele é o homem que cunhou a frase “make love, not war” – “faça amor, não faça guerra”.

Senhoras e senhores, nossa sociedade encontra-se em perigo. Vivemos num estado ideológico onde, se falharmos em reconhecê-lo, esta ideologia marxista politicamente correta levará a cabo a nossa destruição, tal como foi planejado há décadas. A alternativa é viver como um genuíno americano, e, honestamente, dizer o que pensas. Sei que muitos marxistas já falecidos alegram-se cada vez que estabelecemos mais um discurso de censura.

Na liberdade...

 

Publicado na Fusion Magazine.

Tradução: blog O Marxismo Cultural

 


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