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Não é coisa de delírio. Há alguns dias, NTN24 entrevistou o deputado venezuelano Rodrigo Cabezas, coordenador do Foro de São Paulo (FSP) em Caracas que, ante a pergunta de por que as FARC continuavam vinculadas como um dos membros fundadores do Foro de São Paulo, uma entidade que tem partidos de governo em países amigos da Colômbia, respondeu que só estavam como delegados oficiais de nosso país os representantes do Polo Democratico Alternativo.

Bem, isso deveria nos tranqüilizar. Saber que as FARC não participaram como delegados oficiais, embora continuassem figurando como membros fundadores do FSP, e que o Polo Democratico Alternativo esteve lá representando esses interesses, é uma brisa de esperança para o povo colombiano, diariamente golpeado - e de morte - pelos terroristas farianos que, entre outras coisas, têm o costume de apoiar candidaturas do Polo Democratico.

Entretanto, a verdade é que nós, que não entendemos as sutilezas da política da extrema esquerda, pudemos constatar que as FARC foram sim protagonistas estelares da versão do Foro que realizou-se em Caracas. Os terroristas contaram com estandartes, ocuparam stands e sua propaganda fez-se conhecer através das ovacionadas intervenções de Piedad Córdoba.

As FARC tiveram dois stands na mostra política e cultural, como se pode comprovar com os seguintes testemunhos gráficos, exclusivos de Periodismo Sin Fronteras.

Na foto A observa-se todos os stands de política do XVIII Encontro do Foro de São Paulo celebrado em Caracas, entre 4 e 6 de julho de 2012.

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Foro de São Paulo celebrado em Caracas entre 4 e 6 de julho de 2012

A foto B corresponde ao stand 1 das FARC. Em B1 observam-se detalhes, como a pessoa que atendia o stand, que assegurou a nosso correspondente em Caracas que o material imprime-se na Venezuela e o levam à fronteira onde o distribuem para diferentes partes da Colômbia. Uma parte deixa-se para a militância na Venezuela. O responsável pelo stand comia seus alimentos e refrigerantes como membro oficial do FSP, dentro das instalações do Hotel Alba.

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O material é impresso na Venezuela e levado à fronteira, onde é distribuído para diferentes partes da Colômbia.

Como pode-se observar na foto B, o stand tinha livros e camisetas com a imagem de Tirofijo abraçado com Simón Bolívar. 

A foto C1 tem detalhes do cartaz do Encontro de 26 de março de 2012, dia do guerrilheiro heróico.

A C2 corresponde a um informe do Bloco Caribe “Martín Caballero” do primeiro trimestre de 2012. A C3 é o livro “As FARC para principiantes”.

A C4 é uma agenda FARC 2012. Contém datas farianas e informação para guerrilheiros. O responsável pelo stand assegurou a nosso enviado especial que, além dos guerrilheiros, costumam comprar a agenda os membros e simpatizantes da Coordenadora Continental Bolivariana.

A foto D corresponde ao stand da Coordenadora Continental Bolivariana. Seus documentos se reduziam aos das FARC. A maioria das pessoas que compravam estes documentos vinham do bairro 23 de Janeiro, onde está localizada a Praça Manuel Marulanda Vélez. 

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Cartaz do encontro de 26 de março de 2012, dia do guerrilheiro heróico. Informe do Bloco Caribe “Martín Caballero” do primeiro trimestre de 2012. Livro “As FARC para principiantes” e uma agenda FARC 2012.

A foto D1 corresponde a camisetas de Jorge Briceño, o “Mono Jojoy”.

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Stand da Coordenadora Continental Bolivariana

 A foto E mostra detalhes do stand das FARC.

Foto F. Outros detalhes do stand das FARC.

F1 mostra José Castello, cidadão brasileiro participante do XVIII Encontro do FSP. Castello comentou que residiu na Colômbia durante um tempo e esteve na zona do Cauca durante dois meses com a Frente 6 das FARC no município Silvia. Espontaneamente, nos contou dos planos das FARC para atacar aeronaves de combate e um plano para “justiçar” generais da ativa.

Na foto F2 um indivíduo que atendeu o stand durante os dias do Foro.

A foto G corresponde ao stand das FARC e vemos em G1 um sujeito que atendia o stand, que nos informou que entre 4 e 5 de julho vendeu todo o material e que por esse motivo não estaria no dia 6.

A foto H corresponde ao stand da Coordenadora Continental Bolivariana.

A foto H1 mostra a encarregada do stand, que comentou que vive no bairro 23 de Janeiro, junto à Praça Manuel Marulanda Vélez e que viajou à Colômbia convidada pelo PSUV para o lançamento do movimento Marcha Patriótica. Ante a pergunta sobre se havia trazido de lá os livros e cartazes das FARC nos explicou que, ao contrário, tudo se produz na Venezuela e boa parte se envia a cada Frente, de acordo com instruções do Secretariado.

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Todo tipo de propaganda das FARC nos stands do Foro de São Paulo

Foi muito impressionante observar a evidente popularidade da ex-senadora Piedad Córdoba entre todo o conjunto de assistentes ao Foro. Córdoba presidiu a delegação da Marcha Patriótica, uma coletividade cuja presença, embora aplaudida com frenesi, não foi creditada como delegação de direito pleno, dada a férrea oposição que uma parte do Polo Democratico apresentou ante a plenária. Os outros delegados da Marcha Patriótica aproveitaram o interesse dos assistentes pelos stands das FARC e a Coordenadora para fazer contatos e anotar correios eletrônicos.

Uma indígena boliviana apresentou-se-nos como vice-presidente do partido do governo desse país (MAS), e disse-nos sem se ruborizar que a Marcha Patriótica e as FARC são vistas como a expressão “legal” na Colômbia (a primeira), e a ilegal (a segunda) do Movimento Continental Bolivariano ao qual pertence o partido do governo da Bolívia.

O ativismo das FARC não deixou um só espaço sem cobrir. À entrada do teatro Teresa Carreño havia um módulo da organização e, embora não nos tenham permitido anotar os nomes das pessoas inscritas como seus representantes, uma das encarregadas dos computadores procurou o nome do nosso enviado entre os delegados das FARC, quando ele lhe assegurou que devia estar entre eles.

Isto significa, nem mais nem menos, que houve sim delegados das FARC, embora por assuntos de condução de sua clandestinidade, seus nomes não se fizeram públicos.

Apoio mundial para as FARC. Duas delegações estiveram muito ativas, compartilhando cenários e intervindo em foros em companhia da delegação da Marcha Patriótica.

O ETA enviou ASIER ALTUNA EPELDE. Nos stands viam-se juntas as mensagens da Coordenadora Continental Bolivariana e a do partido EUSKAL HERRIA, da Izquierda Abertzale, cujo um dos porta-vozes é Asier Altuna Epelde.

Altuna nos confirmou que havia sido “preso político” do Estado espanhol em 2001. Para quem não sabe, no Google pode-se procurar facilmente a causa de sua detenção: no estacionamento de seu edifício encontrou-se um carro-bomba. Altuna é muito cotado como orador em eventos da extrema-esquerda mundial. No FSP ele foi aplaudido de dar raiva. O mesmo havia ocorrido no ato de lançamento da Marcha Patriótica. Além disso, Altuna foi um dos convidados mais disputados pelos meios de comunicação chavistas e por ANNCOL durante os dias que o Foro durou.

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Asier Altuna

 A. Notícia da detenção em 2001 de Asier Altuna.

1. Fotografia de Asier Altuna em 2001 durante a detenção.

B1. Sujeito desconhecido que atendia o stand das FARC mas figurava como delegado de uma organização venezuelana.

C. Discurso do lançamento da Marcha Patriótica em 21 de abril de 2012.

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1. Fotografia de Asier Altuna durante o lançamento da Marcha Patriótica em Bogotá, Colômbia, em 21 de abril de 2012.

2. Stand no FSP

E1. Stand do PSUV no XVIII Encontro do Foro de São Paulo de 4 a 6 de julho de 2012.

E2. Cartazes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

E3. Cartaz do Presidente e candidato venezuelano Hugo Chávez Frías

E4. Bandeira alusiva aos presos e fugitivos Bascos ligados ao grupo terrorista ETA.

F. Stand número 2 das FARC com o indivíduo que atendia (camiseta com o logo do XVIII Encontro do FSP).

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O perigoso Asier Altuna

G. Facebook de Asier Altuna no qual apoiaria a Palestina e o Irã em uma confrontação na Síria.

H. Segundo palavras de Asier Altuna, ele foi expulso do México por notícias chegadas desde a Colômbia, segundo uma nota da imprensa mexicana.

1. Entrevista de Asier Altuna por AlbaTV durante o XVIII Encontro do Foro de São Paulo

J. Entrevista de TeleSur com Asier Altuna por AlbaTV durante o XVIII Encontro do Foro de São Paulo.

A segunda organização que deu cobertura política à Marcha Patriótica e tentou sua aceitação no Foro, foi a Coordenadora Continental Bolivariana e o MOVIMENTO CONTINENTAL BOLIVARIANO.

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Narciso Isa Conde

Narciso Isa Conde, presidente do Movimento Continental Bolivariano (MCB), apóia abertamente as FARC. Alfonso Cano, chefe das FARC e recentemente dado baixa, era presidente honorário de seu MCB. Por iniciativa sua, o pleno do FSP de Quito (em 2008) fez um minuto de silêncio pela morte do camarada Raúl Reyes. Nessa ocasião as FARC tiveram uma ampla delegação.

Narciso Isa Conde, que pertence ao movimento Caamañista da República Dominicana, nos assegurou que interpôs uma demanda contra o general da reserva Mario Montoya porque, segundo ele, descobriu-se um plano de Montoya para assassiná-lo. Ante nossa insistência sobre a clareza nas circunstâncias, Isa Conde escapuliu com o pretexto de que tinha que atender a outros jornalistas.

O MCB distribuiu publicamente no Foro o documento “Declaração Política do Movimento Continental Bolivariano”. Seu primeiro sub-título é “Derrotar a contra-ofensiva imperialista e avançar para a revolução continental”. Além de saudar o XVIII Encontro do Foro, ele convidou a tomar medidas mais diretas e contundentes no Paraguai para apoiar a resistência civil. Do mesmo modo, pede-se o apoio às FARC e ao Movimento Marcha Patriótica. Diz textualmente: 

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Narciso Isa Conde

“O oprobrioso regime colombiano continua desdobrando, com o apadrinhamento dos Estados Unidos e seu aliado Israel, a guerra suja contra a heróica e multifacetária resistência popular. A condenação a estes funestos desígnios guerreiristas, o reclamo da saída política ao conflito armado e social deve ser tão firme quanto o respaldo às suas forças insurgentes e aos componentes de sua também heróica resistência cívica, especialmente o emergente movimento ‘Marcha Patriótica’, formidável e inovadora confluência político-social, portadora de uma proposta de mudança estrutural, de paz com dignidade e nova institucionalidade democrática e participativa”.

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Cartaz da homenagem a Jojoy, onde Isa Conde convida

 Na arte gráfica, o cartaz que adornava um dos stands no qual Isa Conde convoca, em 5 de outubro de 2011, a uma homenagem para Jorge Briceño, o Mono Jojoy, no bairro 23 de Janeiro, junto à Praça Manuel Marulanda Vélez (Caracas).

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Narciso Isa Conde e os comandantes das FARC


A oficina de defesa ou de resistência dos povos
Um dos eventos mais transcendentes do último Foro de São Paulo foi a oficina de Defesa, a reunião mais concorrida em toda a programação oficial. Um dos expositores disse que, embora o Foro não fosse uma instituição com representação dos governos, certamente lhes correspondia assessorar e orientar os governos comandados pelos partidos sócios. Nesse contexto, os oradores coincidiram na necessidade de que os governos populares tomassem com cuidado os temas da resistência dos povos. “Nossos governos não podem ver com desdém a luta dos outros povos”, disseram, o que foi aplaudido com entusiasmo por organizações e pessoas que estão nessa circunstância de “resistir”: delegados de organizações palestinas e líbias, e cidadãos norte-coreanos, chineses, vietnamitas, iranianos, russos e poloneses.

Vale a pena resenhar a intervenção do brasileiro Ronaldo Carmona, delegado do Partido Comunista do Brasil. Ele propôs começar a desenvolver armas nucleares dissuasivas. “Ponhamo-nos acima do dogma dos impérios que lhes permite se converter em juízes que prevêem, quando eles mesmos não estão dispostos a se desarmar”, disse. A proposta foi aprovada pelo ex-prefeito de Caracas e representante direto do presidente Chávez, Freddy Bernal, hoje diretor do PSUV, e por Daniel Coira, da Frente Ampla do Uruguai.

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Membros do Foro de São Paulo

Ao terminar a oficina, abordamos Bernal que, ante nossas inquietações, nos entregou um documento no qual anuncia a criação do “Centro de estudos estratégicos para a resistência soberana e popular” que, segundo disse, será uma espécie de apêndice do Conselho de Defesa Sul-Americano (UNASUL). Bernal foi muito enfático em afirmar que deve-se constituir um“mecanismo de defesa persuasiva contra o império”, quer dizer, a bomba nuclear.

Um dos delegados brasileiros e que acompanhava permanentemente o comunista Coira, mas que nos pediu reserva de seu nome, fez estes esclarecimentos em tom entre confidencial e conspirativo: 

1. As FARC não são atualmente parte do Foro, mas são convidadas sempre para que creditem delegados com voz.

2. O FSP nega-se a aceitar o qualificativo de terroristas para as FARC e o ELN. Ante a pergunta sobre o que dizer da venda nos stands instalados no Foro de materiais que explicam como derrubar um helicóptero militar, respondeu que “a guerra e a paz são as duas caras da mesma moeda”. “A paz das FARC”, disse, “chegará quando eles sejam governo. A morte, o seqüestro, o tráfico de drogas são aspectos, trâmites de uma guerra que não pode ser vista com critério moralista, senão como o doloroso caminho de libertação e de redenção de um povo”.



Fonte: http://www.periodismosinfronteras.com/la-paz-de-las-farc-llegara-cuando-ellos-sean-gobierno-fsp.html

Tradução: Graça Salgueiro

 


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