A sucessão de Hugo Chávez está se complicando e será feita provavelmente a bala entre os mais próximos herdeiros ao trono mas, para desviar a culpa, “um ex-presidente colombiano” será mostrado como o instigador de tudo.

 
Até quando Iván Cepeda poderá seguir intrigando contra o ex-presidente Álvaro Uribe em total impunidade? O que faz esse membro da Câmara de Representantes é um insulto para essa instituição e para todos os colombianos. Por acaso é normal que um parlamentar, sem ter sido mandatado por ninguém, impulsionado unicamente por um ódio visceral e angustiante, ande fisgando nas penitenciárias do país, onde se reúne com os piores criminosos para tratar de comprometê-los em montagens obscuras contra o mais célebre ex-chefe de Estado da Colômbia?

As andanças de Iván Cepeda com gente encarcerada, guerrilheiros e para-militares, estão longe de ser legais e legítimas. Ninguém sabe quais são os alcances reais desses contatos. Porém, os resultados imediatos são visíveis. Por exemplo, a Sala Penal da Corte Suprema de Justiça investiga nesse momento uma denúncia contra Iván Cepeda pois ele teria cometido, em contatos desse tipo em fins de 2012, vários delitos entre os quais figura o de obstrução da justiça. Os advogados do ex-presidente Uribe se inteiraram que Iván Cepeda, com efeito, violou as permissões para entrevistar dois desmobilizados das AUC (Autodefensas Unidas de Colombia - grupo para-militar), Pablo Hernán Sierra e Juan Monsalve, pois recorreu à técnica ilícita de aduzir algumas razões ao pedir permissões e fazer outra coisa uma vez no cárcere.

Após essa entrevista, Cepeda saiu dizendo que tinha novas “provas” contra o ex-presidente e que pedia que reabrissem a investigação contra ele por “prováveis nexos” com para-militares. Desde há anos, esse chefe comunista não faz outra coisa. Sua obsessão por cobrar do ex-presidente Uribe a luta exitosa contra as FARC de seus dois períodos de governo monopoliza e dirige todos os seus atos.

Essa miserável cruzada tem velhas raízes. As FARC tratam de destruir física e moralmente Álvaro Uribe com atentados e calúnias, desde antes dele ser eleito presidente da República, pela primeira vez, em 2002. Desde então, os operadores desse bando fabricaram centenas de “provas” contra ele: fotografias truncadas, testemunhos tarifados, rumores infundados, pleitos sem base, acusações histéricas, amálgamas absurdos. Nada disso funcionou, nem funcionará, pois é tudo falso.

A paranóia anti-uribista de Iván Cepeda não conhece limites. O homem pretende que, como é congressista, pode fazer o que lhe dê na telha. Nada o inquieta. A passividade da justiça e o medo que ele suscita nos meios de comunicação lhe dão uma ampla margem de manobra. Até quando?

As técnicas de intoxicação que ele utiliza seguem um modelo: o que utilizaram os soviéticos contra os defensores do mundo livre: Truman, Churchill, Kravchenko, Soljenitsyn, Reagan, Walesa, entre outros.

Neste momento, precisamente quando Álvaro Uribe acaba de fundar um novo partido, o Centro Democrático, e se dispõe a voltar à luta eleitoral, em uma conjuntura carregada de ameaças para a democracia, com um diálogo de “paz” com as FARC em Havana destinado a dormir e paralisar as defesas da Colômbia, e quando ele emerge, ademais, como um adversário continental da intentona expansionista do castro-chavismo, seus inimigos jurados parecem ter entrado em uma fase de nova histeria anti-uribista, ainda mais perigosa e desesperada que as anteriores.

As acusações e cenários que preparam incluem as falsificações habituais mas estão enquadrados em um contexto novo, mais vasto e internacional. Enquanto isso, a Colômbia continua enredada nas fantasias e promessas dos diálogos estancados de Havana.

O sinal disso veio da Venezuela. Neste 29 de janeiro de 2013, Tarek El Aissami, uma eminência parda da tirania chavista, ex-ministro do Interior e muito próximo ao Hezbollah libanês, anunciou algo inaudito: que “um ex-presidente da Colômbia, aliado à extrema-direita fascista da Venezuela está por trás dos planos de assassinato” que alguém prepara contra o Vice-Presidente Nicolás Maduro e contra Diosdado Cabello, presidente do Congresso Nacional venezuelano. E copiando a linguagem de Iván Cepeda, El Aissami acrescentou: “Há fotos deles retratados”. (Desculpem o pleonasmo: é de El Aissami). 

Quatro dias depois, em 2 de fevereiro de 2013, os negociadores das FARC em Havana, desesperados pela crise dos falsos diálogos com o governo de Juan Manuel Santos, sobretudo depois do seqüestro de três militares, arremeteram de novo contra o ex-presidente Uribe - o que foi rechaçado imediatamente pelo Governo de Santos -, ao rotulá-lo de “mafioso e para-militar”, pois ele havia pedido horas antes ao mandatário colombiano suspender esses encontros vãos.

Em outras palavras, a sucessão de Hugo Chávez está se complicando e será feita provavelmente a bala entre os mais próximos herdeiros ao trono mas, para desviar a culpa, “um ex-presidente colombiano” será mostrado como o instigador de tudo. O objetivo dessa operação, na qual as FARC jogarão o papel que lhe determinem, será remover o último grande obstáculo para que o chavismo possa se apoderar do Estado e da sociedade colombiana. As intrigas atuais de Iván Cepeda contra o ex-presidente Uribe favorecem forçosamente esse contexto e o marco abominável que aparece por trás do anúncio de Tarek El Aissami, embora Iván Cepeda saia a dizer outra coisa.

Não é a primeira vez que os comunistas utilizam essa tática perversa. Em dezembro de 1934, Stalin mandou matar seu anunciado sucessor, Sergei Kirov, e utilizou esse crime para consolidar seu poder totalitário, acusando seus adversários mais imediatos. Nos dois meses seguintes, 6.500 pessoas foram condenadas por “terrorismo” e 13 foram fuziladas, entre elas Zinoviev e Kamenev, as mais altas figuras da “velha guarda bolchevique”.

Na Venezuela, alguns comandos do alto governo estão envolvidas no assassinato do promotor Danilo Anderson, em 18 de novembro de 2004, que serviu para desatar uma caça humana que deixou dois mortos e uns vinte torturados, encarcerados e exilados, e serviu para silenciar um promotor chavista que sabia muito das intimidades desse regime, como mostra a jornalista María Angélica Correa em seu excelente livro-investigação intitulado “Crime de Estado. Vão matar esse rapaz” (Los Libros de El Nacional, Caracas, 2012).

Todos sabem que 2004 foi também o ano em que Chávez acusou autoridades colombianas, entre eles a chefatura do DAS e o próprio presidente Uribe, de haver urdido, com políticos venezuelanos da oposição, um “complô” para matá-lo. Tudo era falso e os testemunhos fabricados se derrubaram ante a meticulosa investigação de María Angélica Correa.

O que Iván Cepeda procura agora não é só demonizar o ex-presidente Uribe, atacar sua honra e credibilidade, violar sua vida privada e frear sua atividade política. Ele vai mais longe. Ele não pode ignorar que essa atividade põe em perigo a vida do ex-presidente e de sua família. Quando Cepeda intriga em segredo e se reúne com para-militares e guerrilheiros nas penitenciárias, quem pode garantir que os delinqüentes assim contactados se limitarão a prestar falsos testemunhos contra o ex-chefe de Estado? Não poderiam entender que esses contatos são um convite para cometer crimes de sangue? Ninguém ignora que alguns desses detidos continuam dirigindo estruturas armadas.

Por isso é assombroso que o Ministério Público, a Procuradoria, o Defensor do Povo, a Comissão de Ética do Congresso e outros organismos institucionais não vejam o caráter ilícito das andanças de Iván Cepeda e mostrem-se passivos ante isso.

Em 9 de dezembro de 2012, Iván Cepeda acusou o ex-presidente Uribe do delito de “perseguição” e gesticulou que apelará por isso ante a Corte Penal Internacional (CPI), quando todo mundo sabe que ela só abre processos sobre crimes que nenhuma outra instância judicial julgou. Cepeda disse que falaria com Fatou Bensouda, a nova promotora da CPI, para que inicie uma “investigação”. Um dia mais tarde, Cepeda anunciou que viajava a Roma para ver essa alta funcionária durante discussão de parlamentares do mundo sobre o tema do Estado de Direito e a CPI. Porém, a promotora e ex-ministra da Justiça de Gâmbia mal poderia prestar-se à jogada de Iván Cepeda. Quando ela tomou posse de seu cargo prometeu que lutará contra os que “tentam usar a CPI com fins políticos” (Le Monde, 12 de dezembro de 2011).

O febril ativismo de Iván Cepeda tem uma motivação adicional. Desde há meses, ele não sabe o que fazer para deter a deterioração de sua imagem e evitar o isolamento em que seus amigos se encontram. Em agosto de 2012, o Polo Democrático Alternativo (PDA), uma das agremiações onde Iván Cepeda milita, expulsou de seu seio os membros do Partido Comunista da Colômbia (PCC), onde também milita Cepeda, pois eles haviam criado, sem consultar o PDA, um novo aparato de agitação subversiva, a chamada Marcha Patriótica (MP). Cepeda criticou essa expulsão embora as autoridades, como o confirmou o ministro de Defesa nesses dias, descobriram que esse novo organismo é um braço das FARC. O PDA não quer assumir a responsabilidade do que a MP faça.

Em 15 de fevereiro próximo, Iván Cepeda se reunirá com Gloria Cuartas, ex-prefeita de Apartadó, outra fanática do anti-uribismo. O ex-presidente Uribe estimou, em declaração pública, que esses encontros fazem parte da gestação de uma “vingança criminosa” contra ele, “por haver combatido a criminalidade” durante os oito anos de seu Governo, e “por ter extraditado os ex-chefes das AUC”.

É evidente que tudo isto não é uma casualidade. Não só são fatos simultâneos, senão concomitantes por seu conteúdo. Que operação sinistra anunciam? As autoridades judiciais e policiais, e os responsáveis políticos colombianos deveriam abrir mais os olhos e fazer frente às ameaças que aparecem no horizonte nebuloso dessas datas.

 


Tradução: Graça Salgueiro



 


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