Laurent Gbagbo, presidente cristão da Costa do Marfim sofreu pressões da ONU e dos EUA para entregar a presidência para Alessane Ouattara, muçulmano, cujas tropas massacraram cerca de mil cristãos na vila de Duekoue, há uma semana.

O presidente em exercício da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, foi preso por soldados franceses que invadiram o palácio presidencial hoje (11).

A prisão, porém, não resolve o que analistas dizem que é uma disputa legal: se o vencedor declarado da eleição presidencial, Alessane Ouattara, é legalmente elegível para ser presidente de Costa do Marfim.

Ouattara, um muçulmano apoiado por regiões muçulmanas da nação, reivindicou a vitória depois da eleição de novembro. Mas Gbagbo, um cristão apoiado por regiões cristãs da nação, alegou fraude eleitoral e o processo resolutório do país o declarou o vencedor das eleições. As Nações Unidas e os Estados Unidos, não satisfeitos com o processo interno, declararam Ouattara o vencedor e exigiram que Gbagbo renunciasse, o que ele se recusou a fazer. A decisão provocou tumultos, incluindo um massacre há uma semana na vila de Duekoue que custou entre 800 e 1.000 vidas.

(Cenas fortes).

Um ex-chefe de uma estação da CIA que pediu para não ser identificado disse ao WND que o Ocidente precisa se concentrar no verdadeiro problema por trás da guerra civil, mas que os preceitos legais mesmos da nação não devem ser ignorados.

Ele diz que o verdadeiro problema é que Ouattara é inelegível para ser presidente da Costa do Marfim.

"Em primeiro lugar, os pais de Ouattara eram de Burkina Faso. Então, de qualquer modo ele é tecnicamente inelegível para ser presidente. As leis da Costa do Marfim exigem que ambos os pais seja marfinenses," explica o ex-chefe de estação.

O ex-agente da CIA observa que Gbagbo também esteve envolvido em uma chicana pré-eleitoral.

"É claro que Gbagbo jogou sujo, também. Esta é a África, onde tudo isso faz parte dos procedimentos padrões," explica o ex-agente.

"O Conselho Constitucional, que é constituído majoritariamente por cristãos e animistas do sul, anulou todo o processo eleitoral do norte, que é uma região majoritariamente muçulmana e apoia Outtara. Há sete distritos onde os partidários foram os mais fortes, mas eles só venceram por 51 por cento," diz ele.

"Uma eleição completamente livre e justa provavelmente faria Outtara vencer legitimamente", acrescenta o ex-homem da CIA.

Mas ele disse que há outros problemas.

"Ouattara é inelegível devido ao local de nascimento de seus pais, mas essa mudança foi arquitetada pelo predecessor de Gbabo, que também é do sul," acrescenta ele.

Ele diz que a África é um lugar difícil para qualquer sistema legal, porque não existe "certo ou errado."

"É um conflito sobretudo tribal e religioso. Os truques sujos são executados por quem quer que esteja no poder e ficam impunes," diz ele. E ele diz que a influência externa não tem ajudado.

"É claro que os Estados Unidos, a ONU e boa parte da África vão apoiar um pretendente muçulmano," diz ele.

O jornal Washington Post informou em 1 de abril que o sistema legal da Costa do Marfim obscurece o problema.

O predecessor de Gbagbo, Henri Konan Bedie, conseguiu que seu parlamento aprovasse, em 1995, uma lei proibindo que os marfinenses com pais nascidos no exterior se tornassem presidente. Ouattara forneceu provas de que seus pais tinham nascido na Costa do Marfim, em 1999, mas o governo decidiu que os documentos eram falsos, o que tornou Outtara inelegível.

A matéria também diz que Gbagbo supostamente permitiu em 2007 que Outtara concorresse nas eleições, mas retirou sua aprovação depois da eleição.

Ainda há especulações na imprensa sobre qual exército é responsável pelo massacre na cidade de Doukoue, no norte do país. O jornal britânico The Guardian informa que a especulação se inclina para milícias [islâmicas] leais a Ouattara.

Ninguém se responsabilizou pelas mortes e não há suspeitos, mas o Pitt Report diz que a batalha pela Costa do Marfim é entre cristãos e muçulmanos e coloca a culpa firmemente em Outtara.

O ex-chefe de estação da CIA diz que soldados [islâmicos] leais a Outtara eram as únicas pessoas armadas na área.

As reações às mortes por parte da comunidade internacional foram fortes e duas agências internacionais expressaram indignação com o nível de violência.

O porta-voz da agência humanitária católica Caritas, Patrick Nicholson, diz que uma missão humanitária de seu grupo encontrou os corpos.

"O pessoal entrou na cidade e descobriu que um massacre havia acontecido na cidade. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha estima que 800 pessoas foram mortas," diz Nicholson.

Nicholson diz que a Caritas condenou as mortes.

O porta-voz da Cruz Vermelha Internacional, Steven Anderson, diz que a CVI está indignada.

"Nós achamos isso muito incomum. Nós normalmente não comentamos sobre situações como estas, mas desta vez nossos delegados estavam no local e eles puderam ver centenas de cadáveres," afirma.

"Nós nos sentimos obrigados a compartilhar de nosso estado de choque em relação a esse ato. Também é importante lembrar aos que possuem armas que os civis devem ser respeitados," diz ele.

Nicholson diz que seu grupo quer uma investigação.

"A estimativa da Caritas é que entre 800 e 1.000 pessoas foram mortas ou desapareceram e achamos que a melhor medida possível é que haja uma investigação independente internacional, uma investigação sobre o que aconteceu lá, e que os responsáveis sejam levados à justiça,", sustenta Nicholson.

Anderson diz que o maior objetivo humanitário de seu grupo era ajudar os refugiados e dar aos mortos um enterro honroso.

"Nossa providência foi recolher os corpos que encontramos nas ruas a fim de garantir um enterro com tanta dignidade quanto possível," comenta Anderson. "Foi o que fizemos na sequência do que testemunhamos semana passada."

Tanto Nicholson quanto Anderson dizem que eles não podiam comentar sobre qual facção foi responsável pelo massacre.

 

Nota do editor: O outro vídeo apresentado anteriormente não trata de algo ocorrido recentemente na Costa do Marfim, nem de perseguição a cristãos. É de 2009, ocorreu no Quênia, e trata-se de pessoas acusadas de bruxaria sendo queimadas vivas. O título dado ao vídeo no Youtube não condiz com os fatos. Agradeço aos editores do blog Dextra pela informação, confirmada em outras fontes.


Original: Christian president arrested by French -- Leader in Ivory Coast pressured by U.N., U.S., others

Tradução (feita por recomendação e a pedido de Julio Severo)DEXTRA

 



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