Sarney não é vítima porque cometeu falcatruas, o que seria um mero caso judicial. Ele está sendo removido para que o PT torne-se o único senhor do poder Federal, fato de notável gravidade. Não perceber a extensão do que se passa é perigoso farisaísmo, é cegueira política. Os leitores que atentaram para meu texto sobre a entrevista de FHC estão informados do que tem se passado.

Alguns leitores receberam mal a minha análise da perseguição que o jornal Estadão tem feito, de forma sistemática, contra o senador José Ribamar Sarney. É preciso esclarecer alguns pontos, o que pretendo fazer aqui.

1- Sempre disse e sublinhei que Sarney é um dos maiores pilantras da política nacional, responsável pelo maior descontrole inflacionário de nossa história, nepotista, arrivista e tudo que pode ser derivado dessa constatação. O maior crime de Sarney foi ter avalizado a chegada de Lula ao poder e ter se tornado elemento importante de sua sustentação política, ao troco bem sabemos do que.

2- Disse também que boa parte dos fatos que foram relatados pelo Estadão já era de conhecimento público. A novidade é a produção em série das notícias, em doses homeopáticas diárias, com o nítido objetivo de destruir a figura pública do senador, tirá-lo da presidência do Senado e, eventualmente, do cargo de senador. O PT usou e abusou do Sarney e agora precisa se desfazer dele, pois o senador tornou-se um obstáculo na caminhada do PT em rumo da sucessão presidencial.

3- Sublinhei que as práticas políticas do Sarney não são nem piores e nem melhores da dos seus pares. É a velha prática da elite patrimonialista do Brasil, que nos tem governado desde a fundação. Se bem ela não faz, sabemos qual é o limite do seu mal: só querem "se arrumar", empregar a parentela e enriquecer à custa do Erário, mas tem compromisso com a ordem que sempre esteve aí, do livre mercado. O ponto é que o objetivo do PT é bem outro, que roubar o partido o tem feito desde que ganhou a primeira prefeitura: quer o poder total, se possível absoluto, quer uma outra ordem, o fim da propriedade privada, um outro mundo possível. Quer inserir o Brasil no governo globalizado, a agenda suprema da esquerda. Em suma, quer destruir o mundo como sempre foi e pôr outro mundo possível no lugar. Quer, à moda do Chávez, instalar uma república nos moldes bolivarianos, ou seja, uma ditadura leninista. Reconstruir na América Latina o terreno perdido no Leste europeu...

4- Então, é preciso ver os fatos como eles são. Sarney não é vítima porque cometeu falcatruas, o que seria um mero caso judicial. Ele está sendo removido para que o PT torne-se o único senhor do poder Federal, fato de notável gravidade. Não perceber a extensão do que se passa é perigoso farisaísmo, é cegueira política. Os leitores que atentaram para meu texto sobre a entrevista de FHC estão informados do que tem se passado.

Por fim, é preciso, de uma vez por todas, acabar com a ilusão infantil de que a população tem algum palpite a dar no destino dos recursos públicos, como de o dinheiro dos "nossos" impostos fosse "nosso". Quanta estupidez!  O dinheiro que o Estado nos toma é dele mesmo, que dele faz o que bem quer. Pagar impostos é sinônimo de submissão ao poder de Estado, não é atestado de cidadania, como alguns cretinos pensam. Não é assim que a coisa funciona.

A gritaria em torno da roubalheira do dinheiro público nasce dessa ilusão de ótica. Ora, o Estado sabe muito bem proteger o seu próprio patrimônio, tem suas inúmeras polícias, todo sistema de Justiça e o poder avassalador da burocracia estatal para ameaçar os que metem a mão, sem autorização, na sua grana. A começar pela Receita Federal, essa monstruosidade que está ficando maior do que o próprio poder de Estado.

Mas não há remédio para cretinismo e cegueira política. É por isso que os petralhas poderão chegar com facilidade ao poder total.



smaller text tool iconmedium text tool iconlarger text tool icon

Você precisa ser um usuário registrado para postar comentários.
Por favor, faça o seu login ou registre-se. É rápido, e totalmente grátis.