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No dia 16 de agosto, 36 mineiros grevistas foram mortos a tiros por policiais sul-africanos na mina de platina Lonmin, em Marikana – a noroeste do local de nascimento desta escritora, em Joanesburgo. Setenta e oito dos 3 mil grevistas amotinados ficaram feridos.

A resposta internacional ao massacre de Marikana manteve variações acerca do mesmo tema: "Eles estão matando seu próprio povo", embora eles não tenham dito exatamente assim, pois isso implicaria que os moradores brancos sitiados da África do Sul pós-apartheid não foram totalmente refratados no espectro nacional da ‘nação arco-íris’.

No entanto, como é de se esperar dos animais de carga que compõem a imprensa no Ocidente, a incredulidade sobre "policiais negros atirando nos mineiros negros" foi unânime.

Talvez a intenção do rebanho jornalístico fosse separar violência conduzida pelo Estado de violência tolerada pelo Estado. Essa última é certamente um privilégio de negros contra negros ou negros contra brancos. É assim, pois, na realidade, a maioria dos assassinatos de africanos na África e, incidentalmente, de africanos na América, é cortesia de outros negros.

Não é preciso nem dizer que os luminares da Café Society ocidental não se preocuparam quando o partido de Nelson Mandela, o African National Congress (ANC), inadvertidamente deu um soco no estômago dos branquelos ao negar o holocausto de brancos na zona rural do país.

"Uma disputa trabalhista entre os opressores (brancos) e os oprimidos (negros)": Esse é o mantra invariavelmente emitido pela mídia sempre que um agricultor inocente é abatido – uma ocorrência por semana, no máximo – no país considerado por cretinos como Anderson Vanderbilt Cooper "um modelo de estabilidade desde o fim do governo branco racista”.

Mas quando o ANC, que controla o Estado de um só partido dominante que é a África do Sul, toma providências para conter a população contra aquilo que é tido simplesmente como “seu próprio povo”, isso vira notícia. A saber, “Os violentos incidentes de 16 de agosto representaram o episódio mais letal de uso de força policial sul-africana contra civis desde o fim do apartheid”.

Alusões foram feitas ao massacre de Sharpeville.

Voltemos para março de 1960. Um pequeno grupo de policiais em pânico na era do apartheid – a mídia insiste em acrescentar o adjetivo "racista" ao mencionar esses homens – mataram a tiros 69 manifestantes negros.

Antes do massacre de 1960 em Sharpeville, nove policiais brancos foram assassinados em Durban.

Antes do massacre Marikana, os grevistas – todos dotados da mais pura doçura – mataram pelo menos 10 pessoas. Houve policiais espancados até a morte, guardas de segurança das minas queimados vivos e representante sindical cortado em pedacinhos.

Deixe-me arriscar uma opinião: contra seus simpatizantes do Ocidente, que não se assustam rápido o suficiente, a multidão de saqueadores em Marikana coloca o temor a Deus nos sujeitos mal orientados que atiraram neles. As mesmas forças de segurança da lei que primeiro tentaram dispersar os manifestantes com gás lacrimogêneo, canhões de água, granadas de efeito moral e arame farpado.

Você precisa ter a experiência de ver uma multidão com o ódio à flor da pele avançando sobre você para compreender o terror entre esses policiais assustados e aparentemente incompetentes, que foram encarregados de defender os operadores da mina e outros funcionários ainda no local. A resistência teria de durar horas – senão dias – contra gritos ameaçadores, cantorias e outras intimidações sonoras, todas amplificadas por potentes caixas de som.

Da mesma forma, a polícia sitiada em Sharpeville poderia ter ficado imóvel perante a turba "desarmada" brandindo apenas pangas [NT: uma faca longa africana similar à machete], lanças e paus enquanto avançavam sobre o posto avançado isolado e, assim, ultrapassando o limite das cercas colocadas pelas forças de segurança.

Em ambos os casos, os policiais – negros ou brancos, naquela época e atualmente, certos ou errados – lutaram para permanecerem vivos.

A turba midiática já colocou panos quentes sobre os policiais negros que foram atacados em Marikana por 3 mil mineiros. Já os colegas que estavam em menor número e assustados em Sharpeville, que confrontaram entre 5 mil e 7 mil manifestantes insanos... foram condenados por toda a eternidade.

Os “vilões” de Sharpeville também tentaram controlar as multidões com gás lacrimogêneo e cassetetes antes do fatídico tiroteio.

Por que não perguntar aos 800 mil tutsis ruandeses o que uma tribo armada com armas indígenas é capaz de fazer a um desprezado e indefeso “ser”?

Pergunte a mesma coisa para os 4 mil agricultores sul-africanos brancos, que outrora ajudaram a alimentar o continente.

Ou, mais perto de casa, deixe uma moça genuinamente americana, Amy Elizabeth Biehl, dizer-lhe a quantidade de fúria que sua pele branca e suas boas intenções causaram a uma multidão “desarmada” na Cidade do Cabo em 1993.

Tolice minha. Pergunte aos tutsis – que tingiram o rio Kigara de vermelho – o quanto quiser, mas eles não responderão, pois eles foram dilacerados há muito tempo por seus vizinhos de longa data, os hutus.

Tente perguntar para a Sra. Biehl sobre sua dolorosa experiência, mas acontece que ela também foi silenciada – esfaqueada e apedrejada por uma turba “desarmada” com “apenas” a ideia de assassinato na mente.

Quanto aos 4 mil (e contando) boêres, eles estão mortos e enterrados também. Enterrados na terra que eles labutaram por séculos; sacrificados como gazelas em um safári de caça pelos mesmos inimigos, desarmados e descuidados, imbuídos apenas sentimentos de paz e prosperidade.

Em um mundo inundado pelas moedas fiduciárias flutuantes, a demanda por platina continuará consistente e previsivelmente alta, assim como o declínio na produção de um dos seus principais produtores, a África do Sul.

Isso está garantido.

Os mineiros em Marikana disseram à revista Time que eles não voltarão a trabalhar enquanto seus salários não forem dobrados (que se dane a baixa produtividade). E qualquer trabalhador fora do sindicato que se arriscar a fazer o “o próprio” trabalho, será eliminado. Assim pelo menos eles prometeram.

E esta promessa é algo que tem lastro.



Publicado no WND.


Tradução: Leonildo Trombela Junior

 

 


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